Status: Em manutenção

Tudo o que se usa, gasta. Não necessariamente acaba, mas gasta, desgasta, consome, enferruja. É necessária uma manutenção e, em muitos casos, reposição.

Coisas são fáceis de substituir, máquinas são passíveis de manutenções programadas, o alimento é reposto nas dispensas. Já as relações…

Essas desgastam, cansam, tornam-se obsoletas. Não são de fácil e barata manutenção.

Não tem essa de preservar uma relação fresquinha e viçosa sem que se faça um mínimo esforço para mantê-la. Isso não existe, como não resistem as convicções de que se é querido e admirado somente pelo fato de existir.

Manutenção do próprio ânimo, dos planos e desejos, da energia necessária para levantar todos os dias e encarar a vida!

Manutenção das amizades, das importantes e necessárias lembranças de afeto e saudades, carinho e dedicação.

Manutenção das relações familiares, ainda que complexas e sem novidades, cansativas e muitas vezes desgastantes.

Manutenção do amor, através da própria crença em sua existência, ainda que sem correspondência ou direção.

Manutenção da saúde, da própria vida, em sinal de respeito e auto-consideração.

Manutenção enfim, de tudo o que desejamos ardentemente preservar, do que faz verdadeira e válida a vida.

Se não há manutenção, haverá perda. Mais futuramente, haverá desgaste irreparável, inconsolável.

Como um elevador que trabalha sem interrupções, a vida tem seus altos e baixos, suas paradas e retomadas. A rotina é ligeira e quase nos faz esquecer das paradas programadas, das verificações de engrenagens, detecção de cansaço e desgastes.

Mas, para preservar e manter o bom funcionamento, antes que um defeito ou mesmo uma parada total aconteça, é sempre recomendável fazer aquela pausa, desacelerar, repensar, entrar no modo de segurança e fazer os devidos ajustes.

Afinal, é pelo nosso elevador privativo que andam os nossos afetos.
Para afastar qualquer arrependimento ou culpa, antes que seja tarde, é recomendável pendurar a plaquinha: EM MANUTENÇÃO.

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Emilia Freire
Administradora, dona de casa e da própria vida, gateira, escreve com muito prazer e pretende somente se (des)cobrir com palavras. As ditas, as escritas, as cantadas e até as caladas.



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