Sobre os pesos que carregamos e que nem mesmo são nossos

Por vezes na vida carregamos pesos que não são nossos. Levamos tempo a amadurecer e perceber o que realmente nos pertence e o que é dos outros. Refiro-me a cargas de sentimentos negativos, pensamentos e opiniões ruins de pessoas ao nosso redor.

Chega um momento em nossa jornada em que devemos ter consciência de quem somos e sentimos de verdade. Autoconhecimento é um processo contínuo e sem fim, mas que demora a chegar com profundidade e clareza.

Conheço pessoas que tem uma imagem muito distorcida de si mesmas e de como são vistas pelos demais. Acredito que muitos de nós temos essa visão diferente do que somos e do que pensam sobre nós durante boa parte de nossas vidas. É preciso muita coragem para se olhar com transparência. E mais: para perceber como somos vistos pelos outros. E aceitar seja o que for.

Muitas vezes convivemos com pessoas que não nos aceitam. A partir desta não aceitação, se existe o convívio, passamos a ser alvos de críticas e falas negativas.

Alguém que não nos aceita ou que simplesmente nos desgosta, sofre ao suportar nossa presença. Sua reação será transmitir sua insatisfação de volta para nós.

Durante toda a vida passamos por fases em que iremos conviver com pessoas diferentes. Afinidade é algo maravilhoso, mas nem sempre podemos escolher as pessoas que permanecem ao nosso lado. Um pai, uma mãe, um filho, um colega de trabalho e até mesmo um vizinho podem ser muito diferentes daquilo que esperávamos que fossem. Há de se entender como algo natural da vida. Com isso praticamos nossa tolerância e o verdadeiro amor ao próximo. Amar sem olhar a quem e sem julgamentos.

Não são os outros que devem mudar. Por pior que seja uma pessoa que conhecemos, sua função ao nosso lado é nos tornar melhores como seres humanos: no amor, na paciência e na resiliência daquilo que não se muda. Se somos capazes de transformar a nós mesmos com este comportamento, estaremos oferecendo o melhor exemplo que podemos dar. Aceitamos o diferente. E não o julgamos.

Chegar neste ponto de evolução é um encontro com sua própria paz e tranquilidade. O mal de outrem passa a não incomodar. Conseguimos entender que seu caminho na jornada do crescimento pessoal está em outra fase. E simplesmente respeitamos.

Devemos aprender a olhar para nós mesmos sem qualquer desculpa. Admitindo nossos erros, defeitos e limitações. O que é possível melhorar e transformar: trabalhamos. O que são limites: respeitamos. E quando convivermos com aqueles que não conseguem o mesmo nível de compreensão com o próximo, ainda assim não julgamos.

Há de se perceber a diferença entre o que é a falta de aceitação e amor do outro e o que é meu. A mágoa, a raiva ou a inveja alheia deve ser vista como um obstáculo a ser superado por quem a sente. E não por quem a recebe.

Se você não aceita alguém, sente raiva ou inveja, o problema é seu. Você deve trabalhar a si mesmo com honestidade, por benefício próprio. Mas se você é alvo dos sentimentos negativos de outros, você não tem que trabalhar ninguém, além de si mesmo para que não faça julgamento algum. Se você está aquém de sentimentos negativos, apenas respeite quem os sente e se afaste o quanto possível com respeito.

Amar ao próximo também significa respeitar o limite de outros em não aceitar você ou não gostar de você. Muitos de nós se sentem culpados quando não somos aceitos ou amados. Desnecessário.

Amor de verdade ainda é para poucos, mas estamos todos a caminho da evolução, quando um dia nos olharemos nos olhos sem máscaras e sem qualquer sombra de crítica ou opiniões formadas.

Sinta as pessoas e principalmente a si mesmo verdadeiramente. Assim, leve apenas o que é seu. O que é dos outros, é dos outros!

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Carolina Vila Nova é brasileira. Tem cidadania alemã, 40 anos. Escritora e Roteirista. É autora dos seguintes livros: “Minha vida na Alemanha” (Autobiografia), “A dor de Joana” (Romance), “Carolina nua” (Crônicas), “Carolina nua outra vez” (Crônicas), “Vamos vida, me surpreenda!” (Crônicas), “As várias mortes de Amanda” (Romance), “O dia em que os gatos andaram de avião” (Infantil), “O milagre da vida” (Crônicas) e "O beijo que dei em meu pai" (Crônicas). "Nosso Alzheimer." (Romance), Disponíveis na Amazon.com e Amazon.com.br



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