Simplifique

O poeta Kalil Gibran já disse que a simplicidade é o último degrau da sabedoria. Cada dia mais lemos em pesquisas que a felicidade está nas coisas simples, é apenas um estado de espírito e não algo permanente. E como se conectar com o simples vivendo esta vida frenética, tecnológica e urbana (para muitos)?

Quanto mais pratico mais percebo que a minha felicidade está presente nos momentos mais banais do meu dia. Tempos atrás, resolvi que cada noite antes de dormir eu deveria fazer uma lista de dez momentos felizes do meu dia. Após um mês, eu cheguei a conclusão de que de fato “o simples” junto com a minha total presença no momento é o que tornava aqueles momentos tão prazerosos e portanto, os mais felizes do meu dia.

Cito algumas cenas de onde provei a felicidade no meu dia-a-dia usual: sorriso para mim de uma criança desconhecida no colo da mãe; me sentar por dez minutos na sombra de uma árvore em um dia quente; antes de abrir a porta de casa ao voltar do trabalho, senti o cheiro da comida; ouvir de “surpresa” no rádio uma música que adoro; a ligação inesperada de um amigo; ao falar com a minha mãe descobrir que algo muito bom lhe aconteceu neste dia; o som da chuva; segurar a porta para um velhinho e ouvir um: Deus te abençoe, menina!; entre tantos outros momentos extremamente simples.

Acho que as crianças são um grande convite para buscarmos a simplicidade em nossas vidas. Elas riem de pouco, criam brincadeiras com qualquer objeto, estão sempre dispostas a se divertirem e para elas cada coisa simples parece uma grande descoberta. Quantas vezes elas dão risada exatamente da mesma coisa?

Somente com o espírito presente em nosso cotidiano e com a mente silenciosa porém atenta ao que está sendo experienciado é que podemos reconhecer essas falas simples do viver. É um exercício diário, interno e contínuo assistir aos nossos pensamentos e buscar simplificar nossa rotina, nossos relacionamentos e nossa forma de lidar com problemas. Cada esforço vale a pena, porque de repente, quando menos se espera, é surpreendido por uma humilde felicidade que se torna grandiosa demais dentro de você.

Sorrir com o canto de um passarinho, rir-se de si mesmo ao cometer algum erro, se entregar a um vento forte que sopra, dar um abraço que use o corpo inteiro são algumas atitudes simples que trazem uma profundidade sem fim. Quanto mais simples for, mais inexplicável será.

Finalizo com a sábia frase da autora Martha Medeiros: “Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.”

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Helena Verhagen
Helena é jornalista de formação e escritora por intuição. Nasceu em São Paulo, viajou pelo mundo e agora parou em Lisboa. Em 2015 lançou seu primeiro livro "O Mundo é das Bem-Amadas" que trata sobre o amor próprio e intuição. Vive a vida para contar histórias. Escreve para o seu site, que leva o mesmo nome do livro (www.omundoedasbemamadas.com.br) e outras mídias que abordam sobre o tema autoconhecimento.



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