Sexo frágil uma ova!

Eu até entendo que muitos prefiram se controlar, passar uma boa imagem ao usarem palavras rebuscadas e teorias refinadas para atrair a atenção de alguém, mas de que adianta se vestir de crocodilo quando a alma é de lagartixa?

Pra mim importa mais o ato que o discurso; prefiro o cru ao cozido, o charuto ao cachimbo. Já aviso que nem adianta vir com essa conversinha mole de que o amor é como um conto de fadas quando a verdade é que ele está mais para um conto de fodas. Pesado demais pra você, meu amigo? Então, talvez seja uma boa hora para voltar para a sua roda de amigos e continuar a conversa sobre como esse colunista é superficial, entediante e narcisista.

Penso que está enganado aquele que acredita que pra ser amor tem que ser tudo certinho, correto e indefectível. Pra começar, é mais provável que sejamos feitos de mais vícios que virtudes – tudo bem se quiser negar, mas isso não fará de você menos “culpado”. Nossa natureza não é assim. Dá até pra lutar contra, mas pra onde vai a diversão assim?

Um casal de verdade se constrói através de pequenos atritos e falhas que reforçam os laços, das pequenas chantagens sexuais que só a mulher amada é capaz de fazer com impecável naturalidade, da quase infinita paciência para com os defeitos um do outro.

A mágica está em descobrir que no fundo os dois dividem as mesmas graças e misérias,que é tênue a linha que os separa um do outro e que o sentimento e o desejo são maiores que qualquer fronteira imposta pela moral alheia.

Existirão erros, falhas e tropeços, é claro. Nestes momentos é importante lembrar que comunicação é importante sim, mas ao mesmo tempo é preciso manter a distância de certos segredos. Somos complexos demais, labirínticos demais e nisso reside todo o gosto que tenho pelo toque, pelo silêncio da pele.

É por isso que não adianta ficar dando uma de Sinatra quando o que reside em você é um Roberto Carlos (não o do calhambeque, mas o do esse cara sou eu). Tenha em mente que a mulher fareja mentira a quilômetros de distância, melhor que um cão sabujo. Ela pode até fingir que acredita, mas só pra ver até onde você vai. É verdade, se eu fosse você, levaria um pouco mais a sério aquele ditado sobre ela dar corda só pra ver você se enforcar. É por essas e outras que sou fatalmente apaixonado pelo sexo feminino.

Apenas elas conseguem unir harmoniosamente ternura e perigo, veneno e antídoto, céu e inferno. Ying e yang, caos e ordem, luz e escuridão. A mulher é a perfeita representação do universo em expansão. Não há nada ali por acaso, ela é a máquina ontológica perfeita. Ela, quando quer, deixa Sherlock Holmes e Giovanni Morelli no chinelo, parceiro.

Se mesmo depois dos meus argumentos você insistir em continuar com joguinhos de aparências, fica o aviso: se quer brincar com fogo vá em frente, mas esteja preparado pra perder não apenas a mão, mas o braço inteiro.

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Jocê Rodrigues
É escritor, editor e repórter responsável pelo conteúdo jornalístico do CONTI outra.



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