Seu filho pode ser autista

Ouvir de uma pedagoga experiente a frase “seu filho pode ser autista” é uma experiência muito difícil de assimilar e mais ainda de escrever.

Já tentei começar este artigo várias vezes, mas confesso que ainda não consegui encontrar as palavras corretas para expressar como me senti naquele momento…

Na realidade, acho que foi uma mistura de sentimentos. Como se alguém tivesse colocado dentro de um liquidificador o medo, a ansiedade, o desconhecido e a negação e eu estivesse tentando digerir isso tudo.

Dentro da minha ignorância sobre o assunto, a imagem mental que eu fazia de uma criança com autismo era a de uma pessoa totalmente apática, isolada dos demais, num eterno balançar para frente e para trás. E, definitivamente, meu filho não era nada disso!

Eu já tinha observado como ele era diferente dos irmãos (muito mais quietinho), e estava realmente preocupada por ele ainda não falar (apesar de já estar com 2 anos e meio). Mas autismo era, naquele momento, para mim uma palavra muito forte.

Passado o choque inicial, eu precisava de ajuda. Marquei uma consulta com uma neuropediatra e, como consegui horário somente para depois de 30 dias, passei a pesquisar muito sobre o assunto.

Quando o dia da consulta finalmente chegou, eu esperava sair do consultório com apenas uma resposta: é ou não é autista. Mas descobri que essa avaliação é muito mais complexa do que eu supunha e envolve o trabalho de vários profissionais, como fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais. Nossa jornada estava apenas começando…

Apesar do transtorno do espectro autista apresentar uma variedade muito grande de manifestações, que vão do nível mais grave até o mais leve, existe um conjunto de características que podem ser observadas em todos os casos.

A primeira é a dificuldade de socialização, a segunda é a dificuldade de comunicação (verbal e não verbal) e a terceira pode ser caracterizada como uma série de comportamentos inadequados.

Veja a seguir uma lista de alguns comportamentos comuns relacionados a essas 3 características:

Dificuldades de socialização

Fazem pouco ou nenhum contato visual.
Não apontam objetos de seu interesse.
Não trazem um objeto de seu interesse para mostrar para os pais ou cuidadores.
Não fazem questão de participar de brincadeiras em grupo.
Se interessam mais por objetos e animais do que por pessoas.
Podem dar risadas e até mesmo gargalhadas sem motivo aparente ou totalmente fora de contexto na tentativa de interagir com os demais.
Podem usar as outras pessoas como “ferramentas” para atingir um determinado objetivo. Por exemplo, usar a mão da mãe para pegar um brinquedo.

Dificuldades de comunicação

Atraso na fala ou início da fala muito anterior ao esperado e com uso de linguagem rebuscada e imprópria para a idade.
Decoram trechos de programas de TV ou livros e repetem esses trechos em situações totalmente fora de contexto, ou repetem coisas que acabaram de ouvir (isso é chamado de ecolalia).
Não conseguem brincar de faz de conta (de casinha, escolinha) porque têm dificuldade de imaginar o papel a ser representado.
Dificuldade de compreender figuras de linguagem ou ironias. Levam tudo ao “pé da letra”.
Crianças e adultos com autismo não têm muita capacidade de mentir, fingir ou dizer coisas que não representem a verdade. Em geral, são extremamente sinceras em qualquer situação.
Algumas usam música para se comunicar.
Gritam frequentemente.
Comportamentos inapropriados

Têm interesses muito restritos.
São apegados à rotina.
Apresentam movimentos estereotipados, como agitar os braços, andar em círculos, bater palmas ou balançar para frente e para trás.
Geralmente não gostam de contato físico, em alguns casos até a roupa incomoda (hipersensibilidade).
Andar na ponta dos pés quando estão eufóricas ou ansiosas.
Medo de mudanças.
Autoagressão como morder-se ou bater a própria cabeça na parede, sem reclamar de dor.
Gostam de brincadeiras de movimento repetitivo como balançar ou girar.
Em geral, gostam muito de brincar com água.
Aversão a barulhos e gritos.
Têm insônia, sono agitado ou trocam o dia pela noite.
Apresentam uma atração especial pela música.
Podem tolerar dor, fome ou frio sem reclamar.
Período de atenção bem curto. Mas podem ficar horas em uma determinada atividade de seu interesse.
Leia: Sinais de autismo que você deve estar ciente
É importante saber que para que uma criança seja diagnosticada dentro do espectro autista não é necessário que apresente todos os comportamentos citados.

O diagnóstico e a intervenção precoce com terapias indicadas por um profissional qualificado permitem que essas crianças tenham muito mais condições de se desenvolver para uma vida autônoma. O ideal é que o diagnóstico seja feito antes dos 3 anos de idade.

Se você identificou traços de autismo em seu filho, não perca tempo!

Procure se informar bastante e anote todas as suas dúvidas para conversar com os profissionais que forem trabalhar com o seu filho.

Se você desejar se aprofundar mais no assunto, recomendo fortemente a leitura do livro “Mundo Singular”, da psicóloga Ana Beatriz Barbosa Silva, e o documentário francês “O Cérebro de Hugo”. Ambos contêm informações valiosas e diversos casos práticos que serão muito úteis em sua jornada.

Por Marilia de Andrade Conde Aguilar
Fonte indicada: Família.com

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