Se dizia introvertida, mas era só arrogante mesmo

Sabe aquela pessoa que chega no lugar e já ganha a plateia, que fala com pessoas na fila do caixa, que sorri para estranhos na rua, que sente prazer ao falar em público, que arranja qualquer pretexto para dar uma festinha? Pois, não é dessa pessoa que eu estou falando. Essa gente falante e “mega extrovertida”, pode até ficar um pouquinho inconveniente em certas ocasiões; mas, na maior parte das vezes são seres inofensivos; algumas vezes são mesmo pessoas inseguras que escondem suas fragilidades por trás de toda essa barulheira.

A arrogância perigosa não costuma fazer muito barulho. Gente arrogante calcula o risco, mede palavras e estuda muito direitinho o gesto certo para cada situação. Arrogantes não se contentam com essa popularidade instantânea e volátil. Arrogantes são sugadores vorazes de energia, manipuladores de vontades alheias e grandes estrategistas.

Ninguém escapa de conhecer um punhado de gente arrogante durante a vida. Eles podem vir fantasiados de parceiros irresistíveis, dada sua aura de superioridade; podem estar camuflados na pele de colaboradores indispensáveis no ambiente de trabalho, já que parecem entender de tudo um pouco (mas, nada tanto assim, na verdade!); podem, inclusive, vestir a pele de melhor amigo, aquele que só dá as caras quando você está por baixo – claro, porque arrogantes não sobrevivem ao sucesso e alegria alheios, é demais para eles!

E às vezes a gente leva um bom tempinho para identificar um exemplar da espécie. Não raras vezes, nós caímos na besteira de confundi-los com os tímidos e os introvertidos. Ahhhh… mas não é mesma coisa! Não mesmo! De jeito nenhum! Gente introvertida é adorável, é mais receptiva ao sentimento do outro, é interessante. Os introvertidos apreciam ficar a sós, porque se sentem à vontade consigo mesmos, não porque se consideram superiores ao resto da humanidade.

Os arrogantes podem ser quietos como os introvertidos e os tímidos, a diferença é que essa quietude esconde a falta de habilidade dessas pessoas em interagir e coordenar diferentes pontos de vista. Um arrogante morre com uma dúvida parada na ponta da língua, mas nunca dará o braço a torcer para assumir que não sabe alguma coisa que você sabe. Podem chegar a evitar o convívio de determinados grupos, caso não sejam ali o centro das atenções. Assim, ficam escondidos por trás de uma nuvem falsa de mistério, quando na verdade estão apenas desdenhando a companhia de pessoas que, em sua opinião, são inferiores, menores e menos valorosas.

É claro que existe o arrogante modelo pavão! Aquele que gosta de aparecer, de fazer piadinhas com a sua desgraça e de dar showzinhos gratuitos de vaidade explícita. Mas esses têm esse utilíssimo alarme visual e sonoro! A gente bate o olho e saca que está diante de um poço de soberba. Basta ignorar que uma hora a criatura desiste de você e vai arranjar outro inocente para atormentar.

O perigo são os silenciosos mesmo! No silêncio de um arrogante moram armas letais, como o egocentrismo, a limitação sócio afetiva, a irritação contida e disfarçada de elaborado pensamento crítico, a personalidade manipuladora que se sustenta por meio de comportamentos repetitivos de “morde e assopra”. Essa gente não tem meio termo. Ou você as idolatra, para ter o seu precioso interesse, ou será tratado como algo descartável.

De verdade, a gente pode dar um jeito nisso! O melhor remédio para lidar com a arrogância é não alimentar o monstrinho. Caso você já tenha detectado alguns rostinhos em sua memória afetiva, enquanto lia esse texto, alerta máximo! Caia fora das malhas desse ser soberbo! Arrogantes não têm amigos, têm súditos. Disfarce, evite, suma do mapa, antes que de súdito você seja rebaixado a tapete!

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Ana Macarini
"Ana Macarini é Psicopedagoga e Mestre em Disfunções de Leitura e Escrita. Acredita que todas as palavras têm vida e, exatamente por isso, possuem a capacidade mágica de serem ressignificadas a partir dos olhos de quem as lê!"



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