Sabedoria fugaz

Nunca tivemos tantas informações à nossa disposição como hoje em dia. As informações praticamente voam diante de nossos olhos, passando rapidamente, como um foguete, como um cometa, às vezes até como um fatasma. Na verdade, somos literalmente inundados com posts de tudo quanto é tipo, o tempo todo, numa velocidade rasante.

Vemos um artigo interessante e gostamos (ou não!), curtimos (ou não!), compartilhamos (ou não!). Pode ocorrer de um texto muito sábio ser admirado por muitos, que então o comentam e elogiam, e esse texto fica nos centros das atenções, mas por quanto tempo? Alguns dias, algumas horas ou mesmo somente alguns minutos? Na verdade, somente até aparecer o próximo texto sábio (ou mesmo nada sábio, mas que chama atenção por algum outro motivo!). E é assim que vivemos e nos alimentamos de uma sabedoria fugaz, que agora tem importância, mas que já perde o destaque ou até mesmo a validade dentro de pouco tempo. E aquela sabedoria tão destacada agora já cai no esquecimento antes mesmo de ser entendida e refletida. Sim, é isso mesmo: falta reflexão! Nos vemos confrontados com uma inflação de informações, que nos entope de “sabedoria”, mas do que vale uma sabedoria se ela não chega a ser refletida? Do que ela vale mesmo se sua existência já tem as horas contadas mesmo antes de poderem ser digeridas completamente? E que sentido faz isso?

Indago, então, se isso tudo nos torna realmente mais sábios, se isso tudo nos traz realmente algum enriquecimento ou se tudo isso simplesmente não só serve de álibi para nossa ignorância, só serve de enfeite para nossa falta de conhecimento e de interesse profundo por alguma coisa…

Sento-me e escrevo estas palavras, sabendo que sua vida será curta, sabendo que elas talvez nem cheguem a viver realmente, já que sua existência no mundo virtual dependerá de fatores que eu, como autor, não posso controlar. Se publico o que escrevo num momento raro de vácuo cibernético, poderei talvez despertar o interesse de muitos, mas se no mesmo momento correr a notícia da morte de um cantor sertanejo ou um vídeo de um cachorro tocando violão, será que alguém dará alguma importância real ao que escrevo? Provavelmente não.

Não é de se admirar então que autores publicam freneticamente conteúdos diversos, tentando acompanhar o Main Stream, na esperança de acertarem pelo menos uma vez e terem então um pouco da atenção da comunidade virtual. E ficam felizes quando conseguem, sim, finalmente algo seu no centro, algo seu sendo visto por tanta gente, sua sabedoria sendo curtida, comentada e compatilhada, quanta emoção!!! Mas só até que PUFF!, ela se evapora, de repente, sumindo no mar de ex-atrações, se perdendo no buraco sem fundo que são os bancos de dados de redes sociais…

Sabedoria fugaz, efêmera, que chega rápido e passa rápido, sabedoria gasosa, que já não pode nem ser segurada, muito menos refletida, sim, um álibi para nosso desinteresse, um álibi para nossa indiferença, um álibi para nossa falta de introspecção e para nossa perda de capacidade de se prender por muito tempo a qualquer coisa que seja.

E pergunto novamente: isso faz sentido?

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Gustl Rosenkranz
Como já diz o nome de meu blog, escrevo fazendo uso de uma das liberdades mais essenciais que temos: a liberdade de pensar. Escrevo sobre o que passa por minha cabeça, sobre coisas que vejo, escuto e vivencio diariamente, enfim, escrevo sobre a vida e suas facetas, sobre o mundo e suas entranhas e sobre o ser humano, com seus sonhos, medos e esperanças. Escrevo sem “luvas”, tocando no assunto, menos preocupado em agradar do que em mexer com o leitor, de forma clara, até mesmo carinhosa, mas sempre suavemente subversiva e profunda.



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