Que tal um passeio no Peru? Vamos a Arequipa!

Por María Beatriz Valdivia

Arequipa, a cidade branca, cidade única.

04-14-2013-10-29-19_portada-arequipaFundada em 15 de agosto de 1540, ela conta com mais de 1.000.000 de habitantes e atualmente é a segunda cidade do Peru. Declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, é uma cidade pluricultural, no coração dos Andes, a mais de 2300 metros de altura. Sua singularidade radica na conjunção de múltiplos fatores: a contribuição europeia, o material vulcânico das suas construções, a influência indígena e os terremotos, responsáveis pela solidez dos seus muros.

Seu clima é aprazível e ensolarado; o período de chuvas vai de janeiro a março e o resto do ano tem sol permanente.

Cidade de gastronomia requintada, imponentes templos coloniais, uma área rural idílica, vulcões, a marca da história presente a cada passo e até seu próprio passaporte!

Misti-Arequipa-Yanahua
Misti

A presença marcante na culinária arequipenha é o camarão, um crustáceo de rio, característico da região. Destacam-se as “frituras” e o lendário “chupe de camarões”. A variedade e o sabor das frutas peruanas, mundialmente reconhecidas, estão presentes também nos mercados de Arequipa.

Dizem que os arequipenhos têm um marcado sentido da identidade e que a Praça de Armas da cidade é uma das mais belas do Peru. Contam ainda que até 1868 o lugar era um grande mercado ao ar livre. Três dos quatro lados da praça estão rodeados de portais, outra manifestação de um estilo nobre e majestoso. No centro histórico, alguns casarões foram transformados em hospedagens aconchegantes, onde o visitante encontrará o conforto dos dias de hoje no seio do encanto de outrora.

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Praça de armas

Quase todas as construções são de “sillar”, pedra vulcânica, por isso a denominação de “cidade branca”. O sillar não é a lava solidificada dos vulcões, senão a enorme nuvem de cinzas que se depositou no solo milhares de anos depois de uma erupção. Extrai-se em grandes blocos que viram tijolos, com ajuda de um cinzel. Ainda hoje é usado na restauração das casas coloniais e em igrejas, e faz parte da identidade arequipenha. Pode-se dizer que a cidade toda é como uma oferenda ao Misti, seu famoso vulcão de 5800 m de altura.

Mirante de Yanahuara
Mirante de Yanahuara

Arequipa é dividida pelo rio Chili, tributário do Quilca, que desagua no oceano Pacífico, e há várias pontes que comunicam a urbe com seu lado colonial e com as zonas residenciais. A ponte Bolognesi, de quatro séculos, a ponte Grau, com seus belos arcos, e a ponte Bolívar ou ponte de ferro, desenhada por Gustavo Eiffel para a ferrovia. Esta última ponte permite atravessar o ponto mais largo da quebrada do rio Chili.

Ponte Bolognesi
Ponte Bolognesi
Ponte Bolivar
Ponte Bolivar

Durante a colônia foram construídos os “tambos”, lugares aonde chegavam os arrieiros da costa e do planalto. Arequipa era uma cidade comercial e estes eram os pontos principais de fornecimento para os comerciantes que chegavam em caravana.

A Catedral da cidade é um museu e um templo vivo, com seu órgão do século XIX.

Catedral
Catedral

No centro, encontra-se a “Casa del Moral”, o primeiro casarão colonial a ser totalmente restaurado e transformado em museu. A fachada apresenta um interessante trabalho em pedra sillar. É uma típica residência do século XVIII e deve seu nome à centenária amoreira que há no pátio principal. Para visitar também, a “Casa Goyeneche”, do arcebispo José Sebastián de Goyeneche Barrera, a mais bela residência da época, atualmente administrada pelo Banco Central da Reserva.

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Casa del Moral

Quem quiser caminhar, deve conhecer o bairro de São Lázaro a cinco quarteirões da praça. Poderá encontrar a Arequipa de quatro séculos atrás: aprazível e com estreitas ruazinhas empedradas. É o bairro mais antigo da cidade, orgulho dos arequipenhos.

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Rua de São Lázaro

No setor rural, o distrito de Sabandia, que possui um dos moinhos aonde chegavam os grãos do campo para serem processados. Eram moídos o trigo, a cevada e o milho preto para fabricar uma bebida típica da região, a “chicha de jora”.

Moinho de Sabandia
Moinho de Sabandia

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Yanahuara, o lugar mais importante do vale no período pré-hispânico, é um setor cheio de restaurantes, com um mirante espetacular. Nas celebrações deste distrito é habitual o consumo de “queso helado”, sorvete preparado em forma artesanal.

La Lucila, dona da picanteria de Sachaca
La Lucila, dona da picanteria de Sachaca

No distrito de Sachaca, encontra-se uma das picanterias mais famosas: La Lucila. A sua proprietária tem 95 anos, mas ainda dirige o local, embora cozinhem suas filhas e sobrinhos.

Na arquitetura religiosa destacam-se:

A Companhia de Jesus, edificada no S. XVII, de estilo barroco;

O Mosteiro Franciscano La Recoleta, fundado em 1649, de estilo romântico e neogótico, em pedra sillar, conta com peças de arte pré-colombiana e religiosa. Possui uma pinacoteca e uma biblioteca, com livros dos S. XVI e XVII;

O Mosteiro de Santa Catalina de 1580, uma cidade dentro de outra. São 20.000 m2 para abrigar as filhas das famílias mais ricas com vocação religiosa. A clausura é absoluta e já viveram nele até 400 freiras. Elas só rezavam, tinham servas para os afazeres domésticos. Atualmente só abriga um grupo reduzido de religiosas.

Mosteiro Santa Catalina
Mosteiro Santa Catalina
Santa Catalina
Santa Catalina

downloadA riqueza do artesanato da região se remonta aos principais elementos da sua arquitetura colonial: ferro e sillar. Arequipa abriga também uma grande quantidade de tradições como sua música e lá se fabricam instrumentos musicais seguindo técnicas ancestrais.

Outra manifestação artística: os tecidos de alpaca, os mais vendidos no sul do país. A lã de alpaca pode mostrar uma ampla gama de cores, graças ao uso de corantes naturais. A técnica da tecelagem é transmitida de geração em geração e cada trabalho é único.

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Quer comer chocolate? Os chocolates em Arequipa identificam-se com uma fábrica: La Ibérica.

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La Ibérica chocolates

A criação de cavalos de paso é também uma atividade importante para o camponês.

Conheça Arequipa!:

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María Beatriz Valdívia

Professora de francês e português, trabalha com grupos de estudantes a partir dos 16 anos em cursos abertos à comunidade. Acredita que a atividade docente, a interação com os alunos e as amizades conquistadas ampliam horizontes e alimentam sonhos. Escreve sobre sua terra natal, a Argentina, assim como sobre tudo o que tenha a ver com desenho, pintura, viagens e literatura, temas que permitem conhecer e compreender outros jeitos de ser e viver, outros olhares.

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María Beatriz Valdivia
Professora de francês e português, trabalha com grupos de estudantes a partir dos 16 anos em cursos abertos à comunidade. Acredita que a atividade docente, a interação com os alunos e as amizades conquistadas ampliam horizontes e alimentam sonhos. Escreve sobre sua terra natal, a Argentina, assim como sobre tudo o que tenha a ver com desenho, pintura, viagens e literatura, temas que permitem conhecer e compreender outros jeitos de ser e viver, outros olhares.



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