Quando você se fecha demais você se protege, inclusive do que é bom!

Já pensou um dia dizer sim para uma proposta que te fizerem e o seu primeiro impulso era dizer não?

Já pensou que as suas certezas sobre si mesmo, seu orgulho, seus conceitos, podem ser frutos de um ego que joga contra o seu verdadeiro eu?

Há tantas surpresas boas no inesperado, no desconhecido, nos caminhos ainda não trilhados!

Ta certo, ser aberto demais tem lá seus riscos, acaba chegando perto da gente de tudo um pouco, chega perto o louco, o chato, o mal intencionado, mas chega também uma preciosidade de pessoa, uma conversa pra lá de boa, uma ótima companhia para ficar à toa.

Ser fechado te deixa impermeável, centrado e sozinho no seu mundinho redondinho, bem estruturado, com cada cantinho conhecido, sem riscos, sem pecados, sem prejuízos.

Viver fechado te deixa blindado, inclusive para as coisas, pessoas e situações fantásticas que você nem imaginava.

Fechado você segue firme, forte, inabalável, adulto. Não cai em armadilhas, não se abala, não entra em histórias que vão machucar sua alma, não deixa que te façam de bobo, não sofre, não é passado pra trás.

Mas também não é passado pra frente!

Não sente, vai endurecendo a visão, a intuição, a empatia, o altruísmo, a paixão.

Ser aberto demais te faz levar uns belos tombos, é verdade, mas também te permite voos inimagináveis. Por vezes, te causa frustração, revolta, decepção, cansaço… Mas também mais maturidade, sabedoria, esperteza, autoconhecimento, entendimento dos próprios limites.

Você aprende a avaliar, a dizer sim e não, a ser doce, mas também sério, a deixar que entrem, mas também pedir por favor para que saiam. A abrir um sorriso e os braços e também derramar lágrimas e andar mais rápido, desapegado.

Aberto você pode aprender a ser membrana semipermeável!

Aberto, você conquista a liberdade de ocupar na vida espaços mais amplos que a própria zona de conforto. Em outras palavras, te permite viver alto e além dos limites dos seus próprios medos e dos medos que inventaram para você.

Ser um ser hermeticamente fechado (sim, isso é um pleonasmo!) não te faz mais forte, muito pelo contrário, mostra a fraqueza e o comodismo de viver observando o mundo dentro do seu velho e habitual escafandro. Mostra que você tem mais medo da vida do que desejo por ela, e que você desperdiça preciosíssimas oportunidades.

Você se torna aquela pessoa que prefere observar o mar do lado de fora, sem se atrever a sentir a delícia das ondas te lavando a alma.

Abra-se!

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Clara Baccarin
Clara Baccarin é poeta, escritora e tradutora. Autora do romance Castelos Tropicais (Ed. Chiado, 2015), e do livro de poemas Instruções para Lavar a Alma (Ed. Sempiterno, 2016). É uma contadora de histórias que adora poetizar o mundo. Escreve por amor e rebeldia: desconstruindo verdades, brincando com as palavras e ressignificando a vida.



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