Quando o extraordinário acontece…

Ainda não sei qual o nome dado à reação psicológica que tenho em relação a aglomerações de pessoas, em função de uma causa positiva. Mas sei que, toda vez que vejo um protesto ou qualquer organização de pessoas em prol de algo maior, eu me sinto tremendamente sensível e tocada. Choro.

Por este motivo, não resisti assistir ao documentário “Batkid beginns”, após ver o seu trailer. Mesmo antes de ver o filme, já me peguei em julgamento: “por que tantas pessoas se mobilizaram apenas por uma criança? Há tantas causas humanitárias por um número bem maior de pessoas e essa quantidade de voluntários poderia se dividir entre outras”. Mas o sentimento que me remete à união de pessoas em benefício de alguém me levou a seguir adiante mesmo assim.

O filme foi feito inicialmente sem pretensão alguma; eram registros de mais um evento da Instituição “Make a wish” (Faça um desejo) – organização sem fins lucrativos, que procura atender crianças doentes com risco de morte, oferecendo-lhes um pedido, como uma forma de lhes proporcionar força e esperança para continuar lutando. A organização se encontra, hoje, em 33 países, sendo um deles o Brasil.

Algumas crianças fazem pedidos comuns, como um brinquedo, uma viagem à Disneylândia, conhecer uma pessoa famosa, participar de um programa de televisão e até mesmo ser um super herói, como foi o caso do menino de 5 anos de idade, Miles Scott, de uma pequena cidade dos Estados Unidos.

Miles sofre de leucemia desde os 18 meses de idade e, desde então, vem lutando contra o câncer. Ao ser perguntado pela organização sobre que desejo gostaria de ter realizado, não soube responder inicialmente. Mais tarde, ele contaria aos pais que seu desejo era ser o Batman.

A organização se mobilizou para dar um dia de super herói ao menino, ao lado de um ator vestido de Batman, em que ambos salvariam alguém em perigo. Porém, os voluntários que atenderiam a este desejo se mobilizaram chamando outras pessoas e as ideias foram crescendo, ao mesmo tempo em que o evento já ganhava força, adeptos e divulgação nas redes sociais.

O que era para ser mais um simples desejo de uma criança doente acabou se tornando uma enorme mobilização na cidade de São Francisco. Milhares de pessoas compareceram ao roteiro criado pelo “Make a wish”, para o dia do agora “Batkid”. A polícia teve que se organizar, bem como ruas tiveram que ser fechadas.

Um banco foi utilizado, uma grande lanchonete e até mesmo a prefeitura da cidade. O menino de 5 anos pareceu não ter compreendido tudo o que fizeram para ele e, menos ainda, a proporção mundial que isto acabou se tornando. Quase 2 bilhões de pessoas, somando Facebok, Twitter e Instagram, foram tocadas pela história do garoto que queria ser herói.

Apesar de não ser nada tão complexo, o evento e tudo o que houve em volta dele se tornaram algo extraordinário. Centenas de pessoas voaram para São Francisco, para ver o desejo do garoto sendo realizado. E milhões de pessoas acompanharam o acontecimento ao vivo na internet. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enviou um vídeo para o garoto, via Twitter, dentre outras pessoas famosas e importantes que se uniram ao projeto.

É difícil compreender como uma única causa, de uma única pessoa, tornou-se algo tão gigantesco. Parece-me que o ajudar ao próximo, dando asas à sua imaginação e alimentando a sua fantasia de criança, foi o segredo deste sucesso tão inesperado e despretensioso.

Penso que não sou apenas eu a única pessoa a se comover com a caridade alheia e a união de estranhos em favor do bem. A história do menino que virou Batman por um dia comove pela união e comoção que causou, inesperadamente, em milhões de pessoas.

Havemos de descobrir o segredo que cria tamanha reação em cadeia, para mudarmos não apenas o dia de uma única criança, mas o mundo de milhões que passam fome, sede e vivem à míngua da sociedade.

Porque, ainda que tenha sido uma única história, ela prova que a humanidade reconhece seus verdadeiros valores.

Ainda temos chance de nos tornamos uma sociedade mais justa, que olha o próximo e se une em favor do mesmo, sem interesses e sem julgamentos.

Informações e Trailer: http://www.batkidbegins.com/

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Carolina Vila Nova é brasileira. Tem cidadania alemã, 40 anos. Escritora e Roteirista. É autora dos seguintes livros: “Minha vida na Alemanha” (Autobiografia), “A dor de Joana” (Romance), “Carolina nua” (Crônicas), “Carolina nua outra vez” (Crônicas), “Vamos vida, me surpreenda!” (Crônicas), “As várias mortes de Amanda” (Romance), “O dia em que os gatos andaram de avião” (Infantil), “O milagre da vida” (Crônicas) e "O beijo que dei em meu pai" (Crônicas). "Nosso Alzheimer." (Romance), Disponíveis na Amazon.com e Amazon.com.br

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