Quando eu disse sim ao meu corpo!

Imagem de capa: Igor Sinkov, Shutterstock

O corpo fala, comunica, tanto seduz quanto repele, suplica, ordena, humilha e se submete. O corpo se manifesta de várias maneiras, até quando tenta se esconder.

O corpo ganha voz quando a boca se cala, perde o controle quando se embriaga e os sentidos quando se acovarda.

Tem gente que não aceita o corpo. Convive com ele em estado de tensão e constante conflito. Não é mais um instrumento divino que abriga tudo o que se é. O corpo se torna um inimigo para a toda a vida, e, como castigo, recebe maus tratos e grande desprezo.

Tem gente que deseja o corpo alheio, persegue o modelo dos sonhos com tamanho fanatismo, que distorce o corpo até as últimas forças e dotes naturais.

Tem corpo que parece não ter gente dentro. Tem gente que parece não ter corpo que a prenda.

Eu vivi boa – e bote boa nisso – parte da vida em luta com o corpo. Até os dias de hoje ainda discutimos nossa relação, mas agora em outro nível, um querendo bem ao outro.

O dia em que tomei posse definitiva do meu corpo, não lembro. Mas, sutil e curiosamente, um dia percebi que não era mais tempo de briga. Tinha chegado o momento de fazermos as pazes e nos ajudarmos mutuamente.

O espelho ficou fora da conversa. Um objeto jamais poderia ter voz de comando nessa relação, e ele teve, por décadas. Não só ele, mas as revistas, as novelas, os anúncios e as fotografias. Todos, com intenção ou não, contribuindo para ficarmos “de mal” por muito tempo.

Por isso, nenhum deles foi consultado quando resolvemos nos entender. O corpo parou de lutar para contra minhas investidas e eu, abri mão de tentar faze-lo ser o que jamais será.

Tomei posse do que é de fato meu e dele cuido como achar melhor.
E, juntos, não caímos mais nas manipulações e sugestões que escondem o tempo passando e a vida escorrendo, enquanto corremos em direções contrárias.

De agora em diante, melhores amigos! Saúde!

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Emilia Freire
Administradora, dona de casa e da própria vida, gateira, escreve com muito prazer e pretende somente se (des)cobrir com palavras. As ditas, as escritas, as cantadas e até as caladas.

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