Quando deixamos de nos sentir vivos?

Por Nathalí Macedo, via Entenda os homens

 

É triste pensar que nosso mundo anda tão ocupado com as coisas a ponto de se tornar cada vez mais insensível às pessoas, aos sentimentos, ao que interessa de verdade. Que estamos mais preocupados em não perder a hora do que em compreender porque, de fato, precisamos nos apressar.

Quando mesmo checar minha caixa de e-mails se tornou tão urgente a ponto de eu não ter sequer dois minutos pra dedicar a uma música que me faz bem à alma? Quando, na verdade, deixamos tão cruelmente de nos permitir em nome do que tem que ser? Quando o que temos que fazer tornou-se tão mais importante do que o que queremos fazer?

Triste pensar que deixamos de nos construir enquanto seres humanos, por estarmos mais preocupados com o que precisamos mostrar. Quando deixamos de ser felizes, para nos mostrar felizes. Quando deixamos de assumir nossas fraquezas, porque a crueldade do mundo não nos permite a mais ingênua humanidade.

É triste, sobretudo, pensar que cada minuto que se passa se esvai, de fato, por entre nossos dedos, porque, por mais triste que isso possa parecer, a cada dia vivemos menos. Por mais que estejamos vivos, estamos cada vez menos cientes disto. O mundo nos anestesia.

Ocupamo-nos com nossas necessidades mesquinhas e não percebemos que muitas delas só se tornaram necessidades porque nunca paramos para pensar sobre o porquê precisamos delas. Jamais nos ocorreu que, talvez, precisemos de muito menos do que buscamos. E que o que precisamos de verdade pode estar sendo deixado de lado a cada minuto que nos ocupamos com a ilusão de nossas pseudonecessidades.

Vamos deixando nossos sonhos pra uma outra hora, como se uma outra hora fosse existir tão seguramente assim. Vamos abrindo mão de pedaços de vida que sabemos ser irrecuperáveis, mas, muitas vezes, não nos damos conta do quanto isto é grave. Do quanto podemos nos arrepender de uma palavra que não trocamos, de uma ideia que não absorvemos, de uma música que não escutamos, de uma experiência que não tivemos.

Estamos ocupados demais pra viver os nossos sonhos e, pior ainda, para compreender o quanto isto nos é nocivo. E que, talvez num futuro breve demais, nos perceberemos velhos e frustrados por uma busca eternamente infrutífera, porque muitos sequer sabem o que, de verdade, buscam. Vivem no automático por tempo demais. E percebem – tarde demais – que a felicidade se apressou em abandoná-los. Como todas as coisas maravilhosas da vida, ela não sabe esperar. Sorte de quem se encontra a tempo. Porque, lamentavelmente ou não, só se encontra quem desiste de buscar.

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