Qual é o nosso próximo passo?

Quando perdemos o emprego, perdemos muito mais do que isso, mas na hora não nos damos conta. Porque no mundo em que vivemos, o emprego está associado diretamente ao status social, está ligado ao nosso valor como indivíduos, reflete o que nós somos como pessoas. Então, se ver de uma hora pra outra, desempregado, não é simplesmente ter que procurar outro trabalho.

Afeta a nossa autoestima, a nossa confiança, pois nos faz repensar os caminhos que escolhemos para chegar até aqui. Será que escolhi a carreira certa? Essa profissão me representa? Qual é o emprego que pode significar algo pra mim? É muito solitário olhar pra dentro de si com uma lente de aumento e tentar achar um motivo, uma razão pra sua demissão, ou o que você possa ter feito para estar nessa posição. A culpa nessa fase de aceitação suga as nossas energias, se deixarmos nos dominar.

Às vezes, coisas acontecem e a culpa não é nossa. Em outros casos, podemos sim ter feito algo que precipitasse essa decisão. Mas não devemos nos martirizar, temos que confiarem nós mesmos e na nossa intuição sobre as coisas. É importante fazer um balanço, uma autoanálise com os prós e os contras.

Parece bobagem, mas com essa atitude proativa a gente retoma as rédeas, o controle da nossa vida e abre mão daquele sentimento de culpa que nos diminui, nos consome e não nos leva a nada. O que foi positivo, a gente busca repetir e o que agimos de forma negativa, tentamos entender o que motivou a atitude destrutiva para não nos sabotarmos de novo e assim devagarinho, vamos buscando avançar.

É importante sim revermos nossos planos, revisitarmos nossas pegadas até aqui para definirmos aonde queremos chegar depois disso. Ficar sem emprego é algo sim que impossibilita várias coisas, afinal é com o dinheiro que ganhamos que movimentamos vários aspectos da nossa vida: seja uma faculdade, uma pós, aquele curso de idiomas e sem dúvida, o nosso lazer, a nossa diversão. E também para podermos ter um padrão de vida, coisas que almejamos e experiências que queremos ter. De certa forma, por isso sofremos tanto por estarmos desempregados e nos sentimos desanimados, pois perdemos a autonomia de ganharmos o nosso próprio dinheiro, de nos sustentarmos, de sermos independentes.

Aí nos aprisionamos dentro de um ciclo vicioso que parece não ter fim: não compramos porque não temos dinheiro e não temos dinheiro por isso não compramos. Mas na nossa sociedade capitalista onde viver é consumir e consumir é viver, nos sentimos excluídos, a margem e privados de participar desse altar particular ao consumo. Sim, sentimos tudo isso em um primeiro momento, em um turbilhão de emoções e sentimentos contraditórios. Mas esse passo é necessário, abraçar essa sensação tão palpável de fracasso para podermos chegar do outro lado, para podermos sair do lugar de vítimas e agir.
Para começarmos a olhar as coisas de outra forma, por outro prisma e quem sabe tentar algo novo.

Afinal, estar sem emprego também é uma chance de se reinventar e escolher uma nova rota, dar vazão àquele plano B que estava na gaveta empoeirado e talvez agora seja o momento ideal para colocá-lo em prática. Quem sabe, poder fazer a viagem que estava querendo há muito tempo ou aquele intercâmbio tão desejado? De repente, começar um curso novo, fazer a faculdade que sempre quis e poder mudar de carreira? Ou se dedicar para o mestrado que nunca teve tempo ou o cargo público que você quer ocupar?

Eu sei a vida, às vezes, sacode a gente e vira tudo do avesso, nos força a sair da nossa zona de conforto que só serve pra nos limitar a aquele velho lugar que sempre ocupamos e que agora pode não nos servir mais. Mas essa é a graça da coisa, quando estamos à frente de uma encruzilhada e sabemos exatamente o que não queremos mais e começamos a buscar o que realmente desejamos e com isso, podemos tomar o caminho que é certo pra nós.

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Ana Carolina Garcia
Vivo entre a ponta da caneta e o papel, entre o clique no teclado e a história que desabrocha na tela. Sempre em busca da palavra perfeita, do texto perfeito e do livro perfeito. Acredito no poder curativo da música e de um bom livro. Cinéfila, apaixonada por séries, Los Hermanos e filmes do Woody Allen.



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