Precisamos cuidar do nosso amor

Desde já, e para sempre
Antes que seja tarde
Enquanto ainda vale a pena
Enquanto ele ainda está aqui.

Precisamos voltar a nos olhar como sempre nos olhamos
Com ternura, com admiração, com sentimento
Como no tempo em que, mesmo que achássemos, não tínhamos grandes preocupações
O tempo em que não éramos responsáveis pelo nosso sustento, nossa estabilidade, por “dar certo na vida”
Em que não nos era exigida uma postura de “gente grande”…

Precisamos voltar a nos tratar como namorados em êxtase
Como naquela época em que éramos dois descobridores, explorando um ao outro
Desvendando anseios, modos de ser, trejeitos, manias, defeitos
Como quando buscávamos nos agradar o tempo inteiro
Com as mais singelas ou as mais elaboradas atitudes.

Precisamos voltar a sentir a necessidade de investir na relação
Como naquele tempo em que ainda não nos considerávamos conquistados,
Em que precisávamos mostrar o melhor de nós
Conter nossas imperfeições, nossos desgostos com a vida
E separar os problemas que possuíamos, para não “misturar as coisas”.

Precisamos parar de deixar para amanhã nos dedicarmos com mais afinco à nossa relação
Deixar de adiar a atenção que o relacionamento sempre merece
De fazer de conta que o amor supera tudo, e sempre se mantém intacto
E que alguns momentos de “lua de mel”, uma ou duas vezes por ano, tudo resolve
Pois sabemos, no fundo, que não é bem assim…

Precisamos, e antes que o sentimento atrofie, antes que fique em segundo plano
Antes que a rotina definitivamente camufle o que é realmente importante
E o cansaço termine de consumir a pouca energia que nos resta

Precisamos não deixar o nosso amor, de fato, adoecer…
E necessitamos de atitudes concretas, não apenas do reconhecimento do problema

Precisamos ser diligentes um com o outro, prestar atenção, agir
Como no tempo em que o aniversário das coisas mais simples (como o do primeiro beijo) era comemorado como um grande acontecimento
Como no tempo em que nos surpreendíamos com declarações sem motivo específico
E em que fazíamos questão de demonstrar o amor que sentíamos das mais diversas formas.

Precisamos voltar a apoiar as maluquices um do outro
A encorajar os sonhos e os desejos mais impossíveis ou improváveis
A incentivar nosso crescimento e nossa realização
A não levar a vida tão a sério
Precisamos, acima de tudo, resgatar a leveza, sempre tão essencial.
Precisamos

Para que não aconteça o que já vimos acontecer com tantos casais bacanas que possuíam um relacionamento promissor
Para vermos que os nossos sonhos adolescentes não estavam errados
Para congratular todos os momentos lindos que já vivemos
E todos ainda mais maravilhosos que, se assim quisermos, virão.







“Servidora Pública da área jurídica, porém estudante das questões da alma. Inquieta e sonhadora por natureza, acha a zona de conforto nada confortável. Ao perder-se nas palavras, busca encontrar um sentido para sua existência...”