Porque não há como impedir o voo daquele que aprendeu a voar

Por Adriane Sabroza

É, um dia os filhos vão alçar voos em que você não irá participar.
Ao menos, não da mesma forma de antes.
Chega uma hora em que o voo solo torna-se uma necessidade.
Uma comprovação de que se é capaz, de que se foi um bom aprendiz, de que já é possível voar.
E você vai estar lá, de qualquer forma, mas não mais como antes.
Não mais dando impulso ou segurando as asas, mas vai estar assistindo, talvez até de longe, o voo de seu passarinho.
E poderá ver, de um ângulo talvez nunca imaginado, que esse voo solo também te fascina, porque é fruto de tudo que lhe foi ensinado.
E neste momento em que o pássaro finalmente deixa o chão, você verá que o voo não é só dele, assim como não é a vitória e nem a emoção.
Afinal você esteve lá o tempo todo, em tantos ensaios, vibrando a cada tentativa e agora pode testemunhar não mais o ensaio, mas o vôo, a vida.
Pois é chegada a hora do pássaro deixar o seu ninho.
Ele precisa voar outros ares, experimentar coisas novas e, claro, vai deixar muita saudade.
Mas, acredite, ele volta. Volta mais forte, mais livre, mais filho.
Porque agora já sabe que aprendeu o caminho.
Virou pássaro, deixou de ser passarinho.
E você verá neste voo um pouco de você, se reconhecendo a cada batida de asa, seja ao sol ou à luz do luar.
Porque esse voo também é seu, daquela que lhe ensinou a voar.

Adriane Sabroza

11401439_1875470802677125_2252561536567044070_nPsicoterapeuta por paixão e opção, mãe de três meninas lindas, minha maior realização e, nas horas vagas, aprendiz de escritora, sem nenhuma pretensão.
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Adriane Sabroza
Psicoterapeuta por paixão e opção, mãe de três meninas lindas, minha maior realização e, nas horas vagas, aprendiz de escritora, sem nenhuma pretensão.



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