Por que isso acontece comigo?

O espaço físico de um consultório de psicologia é o local de acolhimento de histórias de sofrimentos, conflitos e dúvidas. E também onde experiências negativas de vida são trabalhadas com o objetivo de serem superadas, proporcionando ao indivíduo o autoconhecimento e a aprendizado de habilidades que o tornarão capaz de ser dono de si mesmo e mais feliz. Não há mágica nisso, mas muita dedicação e persistência de cliente e terapeuta, parceiros num projeto comum.

Frequentemente, o motivo para se buscar terapia pode ser resumido em uma pergunta: Por que isso acontece comigo? Não se trata de questão filosófica, pois tem as bases reais para a procura de tratamento. O que se quer saber, na verdade, é por que determinado alguém não corresponde ao amor, ou por que as desilusões amorosas se repetem; por que os pais só criticam em vez de apoiar; por que o chefe não reconhece seu trabalho; por que o filho não aceita orientação; por que a escolha de uma profissão que não satisfaz? Enfim, por que não se conquista o que deseja ou não se é a pessoa que se pretende ser? Uma sucessão de por quês que pode se estender ao infinito e não levar a uma resposta.

Compreender a si mesmo, as pessoas que o cercam, seus relacionamentos e, de forma ampla, o sentido de se estar neste planeta não é tarefa fácil. Muitos sucumbem ao longo do caminho, quando, em vez de encontrar respostas, se defrontam com mais perguntas, que vão se acumulando à espera de uma explicação convincente. Dificuldade de lidar com situações críticas, com sensação de descontrole ou de incapacidade, solidão ou incompreensão, isto pode acontecer com qualquer um, em algum momento.

Refletir por que determinadas coisas acontecem, ou mesmo como se chegou àquela situação, é um passo. Indagar por que se permite que aconteçam é aprofundar e procurar soluções mais adaptativas. E, ao contrário do que muita gente acredita, com uma percepção fatalista, algo está errado quando casamento vira sacrifício; cuidar dos filhos, renúncia; trabalho serve apenas para pagar as contas. Ou quando o sorriso fica mecânico, a espontaneidade desaparece, o corpo se enrijesse, o dia nubla e nada parece ter graça. Infelicidade não é inevitável o tempo todo. Não pode ser.

O mundo não é um lugar injusto. O que torna a vida difícil é trapacear com as próprias necessidades e tentar negociar direitos e deveres, aceitando falsos brilhantes ou promessas que se sabe não serão cumpridas. Sabotar a si mesmo, aceitando menos que respeito, dignidade e afeto sincero de quem quer que seja é o caminho para conseguir menos do que se merece.

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Maria Cristina Ramos Britto
Psicóloga com especialização em terapia cognitivo-comportamental, trabalha com obesidade, compulsão alimentar e outras compulsões, depressão, transtornos de ansiedade e tudo o mais que provoca sofrimento psíquico. Acredita que a terapia tem por objetivo possibilitar que as pessoas sejam mais conscientes de si mesmas e felizes. Atende no Rio de Janeiro. CRP 05/34753. Contatos através do blog Saúde Mente e Corpo.



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