Por que algumas pessoas repetem sempre os mesmos erros?

Do original: De novo, e novamente…

Por que algumas pessoas repetem os mesmos erros, obtêm sempre o pior resultado e culpam os outros ou o destino, mas nunca a si mesmas, parando para refletir sobre um acontecimento que nada tem de coincidência ou falta de sorte? E, principalmente, por que esquecem que eventos dependem de escolhas e que, apesar de não existir controle absoluto, abrem mão do que está em seu âmbito de ação, deixando que as coisas apenas aconteçam? Abraçam relações afetivas que diferem apenas no coadjuvante da vez, mas terminam do mesmo jeito; aceitam empregos que mudam de endereço, de chefe, de colegas, mas trazem frustrações semelhantes; reincidem em tentativas de emagrecer, parar de fumar, beber menos, começar a frequentar a academia a qual, após a inscrição, nunca mais voltaram; estouram o limite do cartão com o que não necessitam ou pelo que não podem pagar. E assim segue a vida, como a reprise de um filme ruim.

Mas o que explica esse ciclo de vivências frustrantes que parecem não ter solução? Sair do planejamento e ter que enfrentar consequências dolorosas mais tarde é uma situação vivida cotidianamente por muitas pessoas. Mas por que elas são repetidas sempre, mesmo depois de jurar a si mesmo que nunca mais o faria? Porque emoções como tristeza, frustração, tédio, raiva atropelam as melhores decisões de não cometer os mesmos erros e são responsáveis por pensamentos do tipo: eu mereço mais um pedaço de bolo, outra dose de bebida, ou um vestido novo, uma bolsa, um par de sapatos, ou o que quer que seja que se busca para amortecer a sensação de desconforto ou angústia, e não vai fazer mal. E acontece tudo de novo: antecipação, alívio e culpa. E a sensação de fracasso, a autoestima que despenca mais um pouco, a pessoa se fecha no seu sofrimento e na percepção de impotência.

A capacidade de prever e solucionar problemas, conquistar os objetivos, implementar projetos e alcançar a realização pessoal dependem da forma de ver a si mesmo, o mundo e o futuro, que começa a ser desenvolvida na infância. Pensamentos despertam emoções que geram comportamentos, que são mantidos por hábitos. Os pensamentos sabotadores são acionados naquelas situações que representam um perigo para as decisões tomadas racionalmente. Isso significa que, apesar de se perceber que escolhas precisam ser feitas e mudanças, implementadas, acaba-se repetindo os mesmos gestos, palavras e reações, o que leva à estagnação e impede avanços e conquistas. A partir da autoconsciência dos motivos que dificultam o enfrentamento e a superação das dificuldades em qualquer área (afetiva, profissional, social) é possível reescrever a própria história em outras bases e com outros resultados. Como conseguir isso? Aprendendo a reconhecer emoções como o medo (do desconhecido, de se arrepender, de sofrer), a desafiar a resistência a mudanças, que atrapalha a formação de novos hábitos, e a suportar a dúvida sobre o que fazer, como e quando, saindo da zona de conforto.
Então, se você está achando tudo cinza e sem graça, respire fundo, arregace as mangas e escolha uma vida que valha a pena ser vivida e lembrada. Só depende de você.

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Maria Cristina Ramos Britto
Psicóloga com especialização em terapia cognitivo-comportamental, trabalha com obesidade, compulsão alimentar e outras compulsões, depressão, transtornos de ansiedade e tudo o mais que provoca sofrimento psíquico. Acredita que a terapia tem por objetivo possibilitar que as pessoas sejam mais conscientes de si mesmas e felizes. Atende no Rio de Janeiro. CRP 05/34753. Contatos através do blog Saúde Mente e Corpo.



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