A paz é uma “mercadoria” muito preciosa, evite desperdiçá-la.

Você já viveu a experiência de deixar “pra lá” algo que merecia uma atitude enérgica sua? Se sim, já passou pela cabeça a ideia de que isso seja um grande indicador de sabedoria e maturidade de sua parte? Eu sei que não é tão simples assim, é provável que você tenha se martirizado e se cobrado por não ter tomado uma atitude. Talvez você se sentiu um verdadeiro frouxo ou trouxa por não ter reivindicado algo que você tinha certeza que era seu por direito.

Contudo, entenda uma coisa: você não agiu como trouxa, frouxo ou idiota, veja a questão por outro prisma. Muito provavelmente, você avaliou a relação custo-benefício entre pleitear o seu direito, ou tomar satisfação com alguém, e deixar “pra lá” e fez o que foi melhor para você. Certamente você optou pela sua paz e, por essa “mercadoria” não existe quantia de dinheiro que pague. Eu entendo que, em determinadas situações, nosso sangue ferve de raiva, quando nos damos conta de que fomos enganados, injustiçados, caluniados, traídos, roubados e etc. a primeira ideia que vem à nossa mente é o desejo de justiça ou de vingança.

Entretanto, essa necessidade de não aceitar levar desaforo para casa e, de pagar tudo com a mesma moeda precisa ser repensada em prol da nossa saúde emocional e nosso equilíbrio interior. Precisamos avaliar até que ponto um dissabor que enfrentamos merece tamanho desgaste de nossa parte. Essa avaliação merece um olhar atencioso de nossa parte, do contrário, não teremos tempo, tampouco condições de saborear a nossa tão sagrada paz.

Precisamos ponderar, se compensa mesmo, entrar na sintonia asquerosa de quem não tem nada a perder e só vive de atormentar a vida alheia. Sabe, essas pessoas estão mergulhadas no próprio limbo que elas criaram em torno delas, são seres amargurados e atormentados que não suportam nem a eles mesmos. São pessoas que não merecem o nosso desgaste. Elas vivem de fofocas, de maldades, de leva e traz, de mentiras e de um câncer chamado inveja. Então, se nos dispusermos a tirar satisfação com uma pessoa dessa, teremos que descer ao nível dela. Teremos que mergulhar no esgoto emocional em que elas vivem.

Há um ditado popular que afirma: “quem anda com os porcos, farelo come”. E é fato. Se nos dispusermos a descer ao submundo deles para tirar alguma satisfação, voltaremos de lá com a alma empanturrada de lama. Então, não há dúvidas de que o melhor a fazer é optarmos pela nossa paz. Isso pode incluir deixar de receber uma dívida, fingir de surdo sobre uma calúnia que falam a nosso respeito e por aí vai. Em se tratando de dívidas financeiras, por vezes, compensa a gente esquecer o prejuízo e preservar a nossa serenidade. Sabe, dinheiro a gente continua ganhando, as portas continuarão se abrindo para quem tem disposição. Raramente uma quantia financeira compensa o desgaste que sofremos numa ação de cobrança, seja judicial ou diretamente com quem nos deve. Óbvio que existem dívidas e dívidas, nem tudo é possível perdoar, dependendo das circunstâncias envolvidas no contexto.

Em suma, quero apenas ressaltar que fazer cara de paisagem e vista grossa, em determinados momentos, são decisões sábias que contribuem para a nossa paz e saúde emocional. Não podemos perder tempo buscando uma reparação de todos as afrontas que sofremos. Se olharmos bem a vida de quem deseja roubar a nossa paz, perceberemos que eles são dignos de pena. São pessoas muito infelizes cuja motivação na vida é observar a vida alheia e se ressentir com quem cresce e evolui. Essas pessoas são escravas do próprio rancor que já está petrificado na alma. Tudo o que elas querem é que o outro também fique amargurado e que entre na sintonia delas, para que se sintam acompanhadas.

Deixe pra lá, se te ofenderam, se te caluniaram, se te deram prejuízo financeiro. O universo é implacável, cada um vai colher o que plantar. É só uma questão de tempo. Preserve a sua energia para fazer aquilo que te faz bem e que faz bem ao outro. “Os cães ladram enquanto a caravana passa”.

Imagem de capa: Avesun/shutterstock

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Sou uma mulher apaixonada por tudo o que seja relacionado ao universo da literatura, poesia e psicologia. Escrevo por qualquer motivo: amor, tristeza, entusiasmo, tédio etc. A escrita é minha porta voz mais fiel.


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