Os deslumbrados estão preocupados em ter e não em ser

Imagem: Stas Ponomarencko/shutterstock

Levei muito tempo para entender que a nossa essência é a mesma independente do papel que exercemos na sociedade. O grande problema está quando confundimos nossa profissão, nosso papel na família ou o que quer que seja com o “eu sou”.

Por exemplo, “Eu sou diretora de tal revista”, “Eu sou sua mãe”, “Eu sou chefe do banco”. Todos esses “eu sou” são uma ilusão, um papel, uma interpretação que você faz de si mesmo. Se você é demitido do seu trabalho ou perde seu filho, você deixa de ser quem você é? Claro que não, porque você é muito mais profundo e complexo do que isso.

Eu sempre me achei tonta por não me sentir “a tal” (a que trabalha em tal empresa, a que conhece fulaninho-importante, a que estudou em escola boa, a que tem cultura). Hoje dou graças ao meu coração que nunca me deixou levar por esta vaidade tão egóica, ilusória e superficial.

Dentro de mim sempre senti o grande: – e daí que eu trabalho com isso? Que conheço sei lá quem? Que eu sei sobre essas coisas? Continuo sendo a mesma pessoa de carne e osso que vive em um pequeno universo em um grande multi-verso.

Demorei para reconhecer o valor grandioso que carrego em mim por não ser deslumbrada por coisas que facilmente podem servir como uma armadilha para o ego. Sempre me encantei por pessoas com conhecimentos, mas no decorrer da vida, também descobri que se elas não tem prática, somente teoria, rapidamente me desinteresso. Meu coração se nega a dar credibilidade para quem fala uma coisa e faz outra. Sou do tipo: me mostre com seus exemplos e não com suas palavras.

Por isso, aprendi a cada vez mais filtrar minhas relações. Não sei compartilhar meias verdades, meia essência, e exatamente por isso, ao meu redor, vou criando relações com pessoas também enraizadas em suas verdades, em suas filosofias, em sua própria força. Preste mais atenção a si e a quem está ao seu redor. As nossas relações dizem muito sobre nós.

Os deslumbrados estão preocupados em ter e não em ser, em mostrar ao invés de apreciar, reprimidos por seu próprio medo em enxergar o que são verdadeiramente, sem arrogância, com humildade.

Se apropriar de sua essência traz paz ao mundo interior e esta se expande para tudo ao seu redor porque você já aceitou tudo o que é – o que inclui “seus defeitos”. Seja realista, afinal, como diria William A. Ward: “O pessimista reclama sobre o vento, o otimista espera que mude e o realista apenas ajusta as velas.”

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Helena Cecília de Fraga Verhagen
Helena é jornalista de formação e escritora por intuição. Nasceu em São Paulo, viajou pelo mundo e agora parou na Espanha. Em 2015 lançou seu primeiro livro "O Mundo é das Bem-Amadas" que trata sobre o amor próprio e intuição. Vive a vida para contar histórias. Escreve para o seu site, que leva o mesmo nome do livro (www.omundoedasbemamadas.com.br) e outras mídias que abordam sobre o tema autoconhecimento.

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