Os cinco começos de livro mais bonitos de 2014 (e que continuam lindos em 2015)

Por  Wendel Valadares

Outro dia vi uma entrevista com a escritora Nélida Piñon, onde ela comentava os inícios de livros mais bonitos que ela já tinha lido. Isso mesmo, a primeira frase, o primeiro parágrafo, o primeiro capítulo, o ponto de partida de cada leitura.Achei genial e é claro que fui conferir todos os livros que ela citou. Então, resolvi adaptar a ideia e listar para vocês os cinco começos de livros mais bonitos que eu li em 2014.A escolha foi super difícil, porque esse ano eu li muita coisa bacana, então tentei buscar os que mais me marcaram, mas é claro que houveram outros tão lindos quanto.

Vamos lá:

1) Lavoura Arcaica – Raduan Nassar

“Os olhos no teto, a nudez dentro do quarto; róseo, azul ou violáceo, o quarto é inviolável; o quarto é individual, é um mundo, quarto catedral, onde, nos intervalos da angústia, se colhe, de um áspero caule, na palma da mão, a rosa branca do desespero, pois entre os objetos que o quarto consagra estão primeiro os objetos do corpo…”

2) Antes de Nascer o Mundo – Mia Couto

“A primeira vez que vi uma mulher tinha onze anos e me surpreendi subitamente tão desarmado que desabei em lágrimas. Eu vivia num ermo habitado apenas por cinco homens. Meu pai dera um nome ao lugarejo. Simplesmente chamado assim: “Jesusalém”. Aquela era a terra onde Jesus haveria de se descrucificar. E pronto, final…”

3) Tempo das Frutas – Nélida Piñon

“A bondade de proteger os viajantes, todo homem que passava pela sua porta. Agora que finalmente afugentara o medo, ou o que o representasse,ofertava-lhes o corpo, só depois restaurando a preocupação do pão, e a comida necessária. Era o seu jeito tímido de seriamente se orientar passageira na vida dos outros. Em verdade, compreendia a serenidade das coisas, sobretudo os viajantes que nem formulavam exigências que ela já não as tivesse cumprido…”

4) O Discípulo da Madrugada – Pe. Fábio de Melo

“Os descaminhos também nos fazem chegar. Ainda que nos falte discernimento para perceber, a natureza da vida é paciente com os debilitados. E não poderia ser diferente. Ela está atada ao inesgotável coração de Deus, origem de toda compaixão…”

5) A Confissão da Leoa – Mia Couto

“Deus já foi mulher. Antes de se exilar para longe da sua criação e quando ainda não se chamava Nungu, o atual Senhor do Universo parecia-se com todas as mães deste mundo. Nesse outro tempo, falávamos a mesma língua dos mares, da terra e dos céus…”

Nota da CONTI outra: o texto acima foi reproduzido com a autorização do autor.

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Wendel Valadares

Nascido e criado no interior de Minas Gerais, me deixei apaixonar pela poesia e percebi que o sentimento foi recíproco, ela também amou-me. Minha poesia é simples, livre do compromisso de se encaixar em algum gênero, ela simplesmente quer acontecer…É feita de essências e descompromissos, é pura e foi intensamente vivida antes de ser escrita… Sou inconstante e imediatista, mudo o tempo todo e quero tudo agora…
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As publicações do CONTI outra são desenvolvidas e selecionadas tendo em vista o conteúdo, a delicadeza e a simplicidade na transmissão das informações. Objetivamos a promoção de verdadeiras reflexões e o despertar de sentimentos. Sejam sempre bem-vindos! Josie Conti



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