Olhando para frente!

Quando tudo à nossa volta parece não estar indo bem, como focar os pensamentos em algo bom? O frio está judiando…, levantar cedo se tornou cruel, o chuveiro não esquenta, o trânsito não dá trégua, o dia demora a passar e a noite chega rápida e gelada, nos impedindo de sair de casa. Nos pegamos contando as horas para o fim de semana chegar. E quando finalmente chega, passa como um relâmpago.

Como se sentir bem, quando a lista do que está incomodando parece ser maior do que aquilo que agrada? Reflito e busco uma reposta para mim mesma, para fugir de um emaranhado de pensamentos negativos que me levarão a lugar nenhum.

O inverno chegou cedo e com ele uma gama de lembranças negativas sobre o que já vivenciei em minha vida com o clima frio. Além das dificuldades geradas no agora, ainda sinto o “cheiro” de um passado me chamando. E talvez eu não seja a única. Para quem não gosta do clima, sentir o frio na pele todos os dias pode significar sensações bastante ruins.

Mas mesmo em meio ao caos do inverno, já que ao menos eu o vejo assim, procuro olhar para a frente. Para o momento em que sair da cama não seja uma tortura e uma caminhada no parque durante a noite seja novamente possível e prazeroso. Escuto músicas que tocam a minha alma e o meu ânimo de alguma forma e me imagino lá na frente.

Está certo que isto não faz cessar o frio, o trânsito, a falta de tempo ou qualquer falta que eu esteja vivenciando. Porém, melhora o meu estado de espírito. Me devolve o ânimo e a certeza de que tudo na vida passa. Agora está ruim, mas já já melhora. Se não me esforço em fugir dos pensamentos sobre o que me desagrada, me vejo tomada por tudo que é ruim no momento. E então “por dentro” fica ruim.

Muitas vezes me pego em conversas onde algumas pessoas estão reclamando de algo. Com uma facilidade desconcertante e quase que automática, eu me transporto para outro lugar. A partir do momento em que o que está dentro de mim é melhor do que está

fora, minha mente se torna minha própria válvula de escape.

Nossa mente é na verdade o que habita em nós. Ao mesmo tempo que posso estar fisicamente em um paraíso e não estar feliz porque estou deprimida, também posso estar debaixo de chuva numa rua desabitada e me sentir em paz.

Não é fácil ser feliz quando estamos vivenciando uma fase ruim. Porém a vida é e sempre será um e ir e vir de altos e baixos. Não temos o poder de freiar a vida quando uma fase boa cessa e uma ruim começa. O único poder que possuimos e devemos adquirir é o de controlar as nossas próprias emoções através dos pensamentos, para que na hora da descida, o frio na barriga não seja um susto, mas uma emoção com o aprendizado que chega. Nem que esta lição seja lidar com a lentidão e desânimo do inverno.

Entre o levantar da cama e o sair do chuveiro com o frio que me corta a alma, escuto meus próprios risos entre frases sarcásticas que pronuncio para mim mesma, evitando o negativismo do instante momento.

Uma música, um bichinho de estimação, uma boa conversa ao telefone com quem se ama, algumas atitudes podem ajudar. Mas o que mais conta é sempre onde mantemos o foco. Se não está bom agora, de jeito nenhum, de qualquer perspectiva, então olho para frente. Já já chega!

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Carolina Vila Nova é brasileira. Tem cidadania alemã, 40 anos. Escritora e Roteirista. É autora dos seguintes livros: “Minha vida na Alemanha” (Autobiografia), “A dor de Joana” (Romance), “Carolina nua” (Crônicas), “Carolina nua outra vez” (Crônicas), “Vamos vida, me surpreenda!” (Crônicas), “As várias mortes de Amanda” (Romance), “O dia em que os gatos andaram de avião” (Infantil), “O milagre da vida” (Crônicas) e "O beijo que dei em meu pai" (Crônicas). "Nosso Alzheimer." (Romance), Disponíveis na Amazon.com e Amazon.com.br



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