O tal do amor à primeira vista

Por Adriane Sabroza

Essa coisa de amor à primeira vista sempre me fascinou. Desde os tempos em que a minha leitura favorita era os contos de fada, me impressionava aquele primeiro encontro em que o tal do príncipe via a princesa e, imediatamente, sabia ser ela o amor da sua vida. A gente nem virava a página e já estavam eles, assim, apaixonados.

Nos filmes que eu via isso também era lugar comum e não posso negar que aquelas histórias me encantaram e ajudaram a construir a minha parcela deste imaginário feminino que faz com que a gente espere sempre, mesmo sem querer, o famigerado príncipe encantado.

Pior que isso, tantas informações equivocadas, veiculadas pelos contos de fada e pelos filmes água com açúcar que adoramos assistir na adolescência, nos fazem acreditar que não só encontraremos o tal príncipe, logo ali , pronto, mas que seremos capazes de transformar sapos em príncipes e, isso tudo, só com um beijinho sequer. Ah , o poder transformador do amor…

E seguimos assim, acreditando que todo aquele que chega até nós, é, sem dúvida alguma, o nosso príncipe. Nem que pra isso tenhamos que mudar o seu mau gosto escancarado para se vestir, o gosto musical duvidoso, a falta de hábito de leitura, aquele dançar desengonçado, fora alguns arrobos de total falta de educação, mas que nós, detentoras do infinito poder transformador do amor, seremos capazes de modificar com a mesma facilidade que é fazer abóboras virarem carruagens.

Por tudo isso,  estou mesmo convencida de que existe o tal do amor à primeira vista. Pois ao segundo olhar, mais detalhado e atento, toda essa paixão cairia por terra em menos de dois capítulos ou cenas. Acontece que a gente vê aquilo que deseja e é por este desejo que nos apaixonamos, assim num primeiro momento, numa olhadela rápida, focada naquilo que a gente quer ver.   O tempo, senhor da verdade, se encarrega de nos devolver a sanidade e nos mostrar quem o outro é de fato e lá se vai, ladeira abaixo, o tal do amor à primeira vista. Mas ainda assim é possível que algo bom e mais duradouro permaneça. Desde que você esteja disposta a aceitar o outro  da maneira que ele é, com tantas imperfeições quanto você e na mesma busca pelo encontro consigo mesmo, só possível quando há aceitação.

Então, esquece isso de amor à primeira vista e dê um bom e atento segundo olhar, que pode trazer algumas decepções, mas , ao menos será mais verdadeiro. Sem essa de querer transformar sapos em príncipes, o que, além de muito trabalhoso e desgastante, é coisa de fada madrinha. E, fada madrinha, pelo menos até onde eu sei, nunca chegou ao final da história com um grande amor e a legenda “viveram felizes para sempre”.

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Adriane Sabroza
Psicoterapeuta por paixão e opção, mãe de três meninas lindas, minha maior realização e, nas horas vagas, aprendiz de escritora, sem nenhuma pretensão.



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