O que será do amanhã?

Aquela voz tirou-me de meus pensamentos e do planejamento que estava a fazer sobre os próximos dias, chegando a assustar-me por um momento .

“Oi! moça bonita, deixa eu ler a tua mão ? ” Olhei e vi uma mulher aproximando-se. Era morena, tinha cabelos pretos amarrados com um lenço vermelho, e um vestido longo todo colorido. Uma cigana!

Novamente, pediu-me para ver a palma de minha mão e eu, mais do que depressa, respondi com uma negativa, fui distanciando-me. Agora, meus pensamentos eram outros, mudaram totalmente de direção.

O futuro, os dias que estavam por vir perderam a força de sedução que tinham uns minutos antes em minha mente.

Olhei para a palma de minhas mãos procurando encontrar alguma pista, algum sinal do que me aconteceria. Comecei, então, a sorrir, do absurdo que estava pensando e temendo.

Lembrei-me de que, quando criança , tinha muito medo de ciganos, pois diziam-nos que podíamos ser por eles raptados. Agora, passadas algumas horas, posso refletir sobre essa experiência e perguntar-me se gostaria mesmo de saber sobre o futuro. Não tenho dúvida: NÃO.

Não apreciaria saber que logo ali na próxima esquina haveria um acontecimento muito bom esperando-me para ser vivido, pois perderia toda riqueza da novidade, da surpresa, do espanto.

Também, não gostaria de saber sobre um acontecimento negativo, pois perderia imediatamente a tranquilidade do momento presente e já começaria a viver a angústia do que poderia estar a algumas léguas de distância.

“O futuro a Deus pertence”, é preceito antigo, e é assim que acredito, e é assim que quero viver. Um dia de cada vez, um passo depois do outro.

Que graça teria assistir a um jogo sabendo o resultado final?
Que valor teria se soubéssemos que nossas decisões não contam, que nossas escolhas não interferem em nada, pois tudo estaria traçado sem a nossa participação?

Como manter ardendo a chama da paixão pela vida, o arrebatamento e a rebelião necessários para as mudanças?

O que adiantaria lutar pelos nossos sonhos e ideais se tudo já estivesse predestinado?

Não, não seria possível a vida nestas condições. Só o mistério e a imprevisibilidade é que fazem a vida ter essa tessitura tão delicada e , portanto , tão preciosa a todos nós.

Da arte da adivinhação fico com a mágica que nos incita a curiosidade e o espanto, e nos distrai por alguns momentos.

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Eliete Cascaldi
Psicóloga , escritora e avó apaixonada pelo seu neto e pela vida. Autora do livro "Varal de sonhos" e feliz demais com os novos horizontes literários que se abrem.



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