O que são esses arco-íris no Facebook?

Por Carolina Vila Nova 

No último dia 26 de Junho, a Suprema Corte dos Estados Unidos aprovou a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo no país. Desde então, manifestações a favor desta decisão estão surgindo no mundo inteiro, a começar pelas próprias gigantes da internet: Facebook, Twitter, Google, Apple, You Tube, Itunes, Microsoft e muitos outros. Não foram apenas empresas que apoiaram esta decisão importante, mas também pessoas em evidência, como o próprio criador do Facebook, Mark Zuckerberg e Tim Cook, líder da Apple.

Com retaguarda de peso, muitos foram os que hoje ficaram coloridos na rede. Se muitos tiveram a coragem de celebrar somente devido à iniciativa das empresas importantes, tudo bem. Numa sociedade ainda cheia de preconceitos, atitudes como esta são importantes para a evolução da mesma e de cada um de nós.

Desde ontem pude acompanhar na minha rede o aumento das fotos coloridas nos perfis. O Facebook criou um aplicativo específico, para transformar fotos comuns com as cores da bandeira do movimento gay, usada desde 1980 na causa.

Ao mesmo tempo em que percebi uma grande quantidade de pessoas aderindo à ideia, que vem com mensagem de apoio e tolerância, também pude ler críticas e mensagens cínicas a respeito.

O ato foi logo apelidado de “modinha”. E curti a resposta de uma internauta que comentou: “Que bom seria se tolerância e respeito finalmente se tornassem modinha!”. Curti! (Para alguns a pressão foi forte e vi muitos que voltaram a sua foto ao estado original).

mark zuckerberg face colorido
Mark Zuckerberg

Alguém também teve a ideia de usar o aplicativo das cores na foto de uma criança negra desnutrida engatinhando no chão com os seguintes dizeres: “O dia em que uma nação se unir por esta causa, me chama que eu quero participar”. A tentativa de diminuir a causa atual ficou clara. O autor ou autora da foto parece estar se incomodando com a causa colorida e ainda confessa precisar de apoio para entrar em outro movimento, considerando o que afirmou em suas próprias palavras.

Para mim o colorido de hoje no Facebook não representa apenas uma modinha ou a facilidade de um uso de aplicativo. Mas a evidência de uma sociedade em evolução. Enquanto somos obrigados a lidar com manifestações de desamor e intolerância no dia-a-dia, é bom perceber de forma coletiva uma união e coragem em apoio a uma minoria constantemente discriminada.

Para quem já teve um amigo ou familiar gay, sabe o sofrimento que é ser homossexual numa sociedade como a nossa. Eu não sou gay, mas tenho amigos que são e nunca vi nessas pessoas qualquer desmerecimento por serem como são. Muito pelo contrário, pois uma vez que enfrentam o preconceito diariamente, acabam por se tornar pessoas mais fortes e melhores.

Porque na prática é assim: quem enfrenta o preconceito amadurece e se fortalece. Ao contrário de quem o incita, que se torna cada vez menor, inflexível e intolerante.

Enquanto algumas religiões e partidos políticos incentivam ao preconceito, é no mínimo um brilho de esperança, ver grandes empresas da comunicação mundial espalhando o amor através da tolerância. Porque amor ao próximo não deveria ter cara, cor, status ou sexualidade. Amor ao próximo deveria ser como nos foi ensinado a mais de dois mil anos atrás: o amar ao próximo como a ti mesmo.

COMPARTILHE
Carolina Vila Nova é brasileira. Tem cidadania alemã, 40 anos. Escritora e Roteirista. É autora dos seguintes livros: “Minha vida na Alemanha” (Autobiografia), “A dor de Joana” (Romance), “Carolina nua” (Crônicas), “Carolina nua outra vez” (Crônicas), “Vamos vida, me surpreenda!” (Crônicas), “As várias mortes de Amanda” (Romance), “O dia em que os gatos andaram de avião” (Infantil), “O milagre da vida” (Crônicas) e "O beijo que dei em meu pai" (Crônicas). "Nosso Alzheimer." (Romance), Disponíveis na Amazon.com e Amazon.com.br



COMENTÁRIOS