O que é ver um filho crescer?

Por  Carolina Vila Nova

Um filho nasce primeiro dentro da gente. Pode ser planejado ou não, mas, de um jeito ou de outro, acho que a surpresa é a mesma. Uma alegria ingênua, que desconsidera toda a dor de cabeça que vem depois.

Eu me tornei mãe aos dezoito. Apesar de seu nascimento ter vindo aos meus dezenove anos e onze dias, minha transformação veio bem antes. Minha barriga cresceu e, lentamente, a maternidade chegou. As prioridades mudaram e o amadurecimento foi obrigatório.

Confesso que gostei mais quando alguns anos se passaram. Quando meu filho começou a falar e a questionar as coisas. Como quando ele me disse: “Mamãe, você não precisa trabalhar tanto e ganhar muito dinheiro. Pode trabalhar menos e ganhar menos dinheiro”, referindo-se ao fato de que, no novo emprego, eu podia almoçar em casa e ficar aquele tempo com ele. Suas palavras eram nobres já aos quatro anos de idade.

Mais alguns anos se passaram – e, se considerar a velocidade em que ocorrem, é justo que cada parágrafo represente alguns. A pré-adolescência veio e grandes mudanças em nossas vidas também. Seu humor tornou-se típico de adolescente e sua beleza o distinguia. Meu filho sempre agiu como se fosse independente, acho que sempre quis ser assim. Eu achei positivo.

Conforme o tempo passa, um pouquinho mais ele se vai. Vai para o trabalho, vai para a faculdade, vai para os amigos, vai para suas aventuras e vai até mesmo para outro país.

Meu filho foi longe. Hoje completa vinte anos. Já passou a fase da carteira de motorista e da maioridade, tão antes almejada. Já trocou de escola, de cidade, de faculdade, de amigos e de namoradas. Só não trocou de mãe.

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Os vinte anos voaram. Até parece que foi ontem. Mas são tantos significados importantes, que, mesmo com toda a rapidez, nenhum livro expressaria a intensidade de nossas histórias. Pelo menos não para mim.

Às vezes, sinto que meu filho está a cada dia mais distante. Mas, ao mesmo tempo, eu sei que, com a maturidade que lentamente chega, um dia ele me olhará de igual para igual, olhos nos olhos, de um adulto para outro, que também tenta ser gente grande. Com os mesmos medos de possíveis fracassos.

Já não sou mais sua heroína. Por um tempo acho que fui a vilã. E eu não quero ser nem uma coisa, nem outra.  Satisfaço-me estando ali, em seu coração.

Não é fácil ver um filho crescer. Mistura de dor e orgulho, saudade e alegria. Dor pela distância. Orgulho do que é. Saudade do que foi. E alegria do que ainda virá.

É, o tempo passa. A vida vai e vem, como os carros que passam em uma rua qualquer. Minha maior felicidade foi ter tido meu filho. Não foi fácil e nem perfeito. Mas foi amor sem igual. Amor que transformou a menina de dezenove anos em mulher, forte o bastante, para tudo o que veio depois.

Agora é a vez dele, de ser grande para enfrentar as suas próprias lutas, de um caminho que é só seu. De perto ou de longe, eu estarei sempre ao lado dele, como me for possível e oferecido. Porque ver o meu filho crescer é como me olhar no espelho. O espelho da minha própria vida!

Feliz aniversário, filho! Feliz vida!

Eu estarei sempre aqui.

Olhando você crescer.

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Carolina Vila Nova é brasileira. Tem cidadania alemã, 40 anos. Escritora e Roteirista. É autora dos seguintes livros: “Minha vida na Alemanha” (Autobiografia), “A dor de Joana” (Romance), “Carolina nua” (Crônicas), “Carolina nua outra vez” (Crônicas), “Vamos vida, me surpreenda!” (Crônicas), “As várias mortes de Amanda” (Romance), “O dia em que os gatos andaram de avião” (Infantil), “O milagre da vida” (Crônicas) e "O beijo que dei em meu pai" (Crônicas). "Nosso Alzheimer." (Romance), Disponíveis na Amazon.com e Amazon.com.br

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