O que acontece quando você sai da zona de conforto?

Por Adna Rabelo

Revisão Elaine Canisela

Já é lugar comum falar das dificuldades de sair da zona de conforto. Muita coisa já foi dita sobre como sair dela. Eu mesma já escrevi outros posts abordando essa questão. Posso dizer que eu, pessoalmente, passei por inúmeras hesitações até que há um ano resolvi deixar minha adorável zona de conforto. Decidi apostar num relacionamento amoroso e mudar de cidade, encurtando assim a distância entre nós dois e abrindo um novo leque de oportunidades.

Por ser uma otimista quase que incorrigível, subestimei as dificuldades inerentes ao processo de mudança. Acreditei sinceramente que os ventos soprariam a meu favor. É verdade que até sopraram; mas, ainda assim, alguns entraves fazem parte do processo de qualquer mudança. E é sobre eles que gostaria de abordar neste texto, em especial o que eu aprendi quando resolvi enfrentá-los. Não posso dizer que o que vou falar aqui acontece a todas as pessoas, mas alguns elementos parecem se repetir. Vou enumerá-los a seguir:

1- Sentir que está perdido – Quando saímos da zona de conforto, ficamos no limite entre a sensação de estar perdido e a de estar explorando possibilidades. A maneira como lidamos com isso altera  ─ e muito ─ como nos posicionamos diante de nós mesmos e das pessoas à nossa volta. Evidentemente, se passamos a tolerar um pouco mais a sensação de estar perdido, fica mais fácil lidar com as informações novas que chegam até nós a todo instante.

2- Sentir medo e hesitação com mais frequência – Por estarmos vivendo algo novo, nosso cérebro mapeia com muito mais rapidez e frequência tudo que pode dar errado e, com isso, vem a resposta de medo. O desafio para quem está desvendando o que existe na “zona mágica” (contrário da zona de conforto) é aprender a tolerar o medo e tomar decisões apesar dele. Evidentemente, se estiver vivenciando uma crise aguda de ansiedade é melhor evitar decisões maiores; entretanto, não abra mão das que são pequenas e importantes.

3- Tolerar os erros – Nossa cultura reserva pouco espaço para isso, chegando até mesmo a exigir que nós acertemos sempre. Aprender a sentir o “erro” como uma grande dádiva é, sem dúvida, uma lição importante. Quando me refiro a sentir é porque não é o mesmo que saber que o “erro” ensina (algo muito racional); é, antes de tudo, aprender a ser mais leve e tolerante com o próprio processo de aprendizado.

4- Não se comparar a ninguém – Essa máxima aparece em muitos manuais de autoajuda e de empreendedorismo. Aprender a não se comparar é que é o grande desafio. O senso comum diz que comparar-se com quem está melhor que você alimentará sua vontade de dar o melhor de si mesmo. Na verdade, no momento em que você está vulnerável, o que acontece é bem distante disso. Ao fazer comparações com alguém que está em melhor situação, suas dúvidas quanto à sua capacidade de realizar seus objetivos aumentarão, deixando-o ainda mais fragilizado. Então, se não puder evitar a comparação, que ela seja feita com alguém que está pior do que você.

5- Fazer coisas diferentes muda sua forma de ver o mundo – Quando mudamos algumas dessas quatro coisas: onde moramos, onde trabalhamos, com quem nos relacionamos, e os hobbies/atividades extratrabalho, provocamos importantes mudanças na nossa vida pelo simples fato de que passamos a conviver com outras ideias, hábitos, culturas, etc., causando assim modificações na nossa maneira de fazer e de enxergar as coisas. Assim, não é possível continuar sendo a mesma pessoa, uma vez que você já não está exposto às coisas que o mantinham igual. Dessa forma, nosso mundo se amplia.

6- Aprender a esperar por resultados a médio/longo prazo – Não é possível esperar de si     próprio a mesma performance da zona de conforto. Na “zona mágica”, nada é como antes. É necessário reinventar-se. E criar algo novo exige bem mais do que “quebrar” tudo que existia anteriormente. O que quero dizer com isso é que até mesmo mudanças comportamentais levam um tempo para ser assimiladas. Então, nada de se cobrar por resultados para “ontem”, ok?

7- Ser singular – A mudança põe em questão aquilo que você sempre foi, ou seja, suas máscaras, aquilo que usamos no trato social. Normalmente são tão habituais que nem nos questionamos se seu uso trará algo bom para nós ou para quem está perto. Por estar vivendo o novo, você terá que construir um repertório inédito, pois cada lugar e relacionamento têm peculiaridades que exigirão que você construa diferentes maneiras de proceder. Todo dia você pode acordar e experimentar agir de uma forma diferente. Sabe aquela dificuldade antiga de ser assertivo por receio do que as pessoas poderiam pensar se você falhasse? E que tal experimentar dizer apenas “Não, obrigado” para aquilo de que não está a fim? É uma ótima oportunidade de ousar ser mais você mesmo, abrindo espaço para ser único em seu jeito de agir e de se relacionar.

Como você já deve ter percebido, existem muitos desafios e oportunidades nessa “zona mágica”, sendo que a diferença entre eles é incrivelmente sutil. Pode ser que você esteja se percebendo em alguns desses tópicos que descrevi acima ou que esteja vivendo outras questões muito diferentes daquelas que levantei aqui. Independentemente disso, desejo que você mantenha a cabeça erguida; pois, por mais que essa fase seja desafiadora, quanto maior for sua aposta, igualmente maiores serão suas chances de alcançar os resultados que tanto deseja.

Boa sorte!

COMPARTILHE
Adna Rabelo
Psicóloga clínica, CRP- 05/48233, professora de psicologia e coach. Atualmente também se dedica aos escritos de seu blog Psicóloga Adna Rabelo.



COMENTÁRIOS