O grande amor de nossas vidas

Sempre quando nos apaixonamos, acreditamos estar com o grande amor de nossas vidas. Isto me faz refletir sobre a realidade deste grande amor. Se de tantas experiências sentimentais que vivenciamos, sempre pensamos estar com a pessoa a nós predestinada, qual delas seria a tal? O primeiro amor? O último? O que mais permanece em nossa lembrança? Quem é o grande amor de nossas vidas?

Muitos são os amores e paixões que passam por nós. Desde os momentos de menino e de menina, quando nos encantamos por alguém mais velho ou ainda na escola, até os dias atuais, seja com quem quer que estejamos. Fato é que passamos a vida entre amores que vem e vão. Poucos tem a sorte de um amor tranquilo, daqueles que ficam e permanecem no amor e não no comodismo e aparência.

Quando adolescente eu acreditava que o grande amor da vida de alguém seria sempre o último, pois se depois de uma experiência amorosa houvesse outra, seria então porque o amor seguinte teria superado o primeiro. E assim por diante. Há alguma verdade nisto. Como também existe outra perspectiva.

Existem vários tipos de amor e formas de amar em nós mesmos, durante os diferentes momentos de nossas vidas. Se na infância há o amor ingênuo, na adolescência existe o amor da descoberta, da crença e intensidade do amor eterno. Com o passar dos anos percebemos que o amor não precisa ser tão dramático, que na vida tudo passa e nos abrimos às novas experiências. Vivenciamos então o desejo, as atrações e a famosa “química”. Quebramos a cara algumas ou várias vezes, até que num determinado momento começamos a perceber que é preciso bem mais para amar e ser amado: procuramos pelas afinidades. Chega o amor maduro. Entre o primeiro e o último amor, nos pegamos num círculo vicioso, que talvez dure uma vida inteira: a busca incessante por amor.

Se não há como saber de imediato quem é o grande amor de nossas vidas, menos ainda saberíamos quando este encontro acontece. Só percebemos este grande amor em tempo presente, quando já reconhecemos a pessoa ao nosso lado e o peso que a mesma possui em nossa vida. Não é uma descoberta imediata. Leva tempo. E sempre pode deixar uma dúvida: será agora o grande amor da minha vida? Será o último?

O grande amor da vida de alguém pode talvez ser medido pelo tempo que durou, pela época em que aconteceu, ou ainda pela intensidade experimentada. Tudo depende do ponto de vista de quem o vivenciou.

Acredito na possibilidade do grande amor da vida de alguém não ser exatamente o útlimo ou o atual. Este grande amor pode vir a ser uma pessoa que se amou e se admirou tanto, que passa a ser um parâmetro do que se quer e se permite para si mesmo. O grande amor da vida de alguém pode ser uma pessoa que causou tamanha transformação interna, que tem influência nos próximos amores, mudando até mesmo quem eles serão.

O grande amor da minha vida pode ter sido vários. Ou apenas um. Depende do que eu sinto e do que eu acredito. Do meu ponto de vista deste instante. Mas tendo a crer, que o grande amor da minha vida tenha sido aquele que me mudou por dentro, o que me mostrou o melhor de mim e também de si mesmo.

Como também pode ser que o grande amor de minha vida ainda nem tenha cruzado o meu caminho.

Entre uma esquina e outra, com sorte a gente se esbarra e logo ele se apresenta!

COMPARTILHE
Carolina Vila Nova é brasileira. Tem cidadania alemã, 40 anos. Escritora e Roteirista. É autora dos seguintes livros: “Minha vida na Alemanha” (Autobiografia), “A dor de Joana” (Romance), “Carolina nua” (Crônicas), “Carolina nua outra vez” (Crônicas), “Vamos vida, me surpreenda!” (Crônicas), “As várias mortes de Amanda” (Romance), “O dia em que os gatos andaram de avião” (Infantil), “O milagre da vida” (Crônicas) e "O beijo que dei em meu pai" (Crônicas). "Nosso Alzheimer." (Romance), Disponíveis na Amazon.com e Amazon.com.br



COMENTÁRIOS