O amor é colorido

Quando se espera um filho, a primeira coisa que passa pela sua cabeça é “qual será o sexo do bebê?” Essa curiosidade parece tomar conta de meio dia da vida de uma mulher grávida e não é somente porque esta é uma questão das mais sérias, definitiva mesmo, que vai ou não responder às expectativas e desejos acalentados, às vezes,  por anos a fio (algumas mulheres desde meninas decidem se querem ser mães de meninas ou meninos), mas também é porque ela inaugura um período maravilhoso e ansiosamente esperado da maternidade: a fabulosa temporada de compras!

A partir do momento em que se sabe o sexo do bebê é dada a largada para uma corrida contra o tempo, afinal só temos cerca de 7 meses para comprar tudo (eu disse TUDO e algumas mulheres costumam levar isso ao pé da letra) o que sonhamos a vida toda para o nosso bebê e também uma corrida contra os nossos bolsos (e, por vezes, dos maridos), pois gastamos na gravidez muito mais do que conseguimos gastar em todos os Natais da nossa vida.  Também, pudera… a gravidez trás essa sensação de poder nunca antes experimentada, seja porque você tem o poder de criar uma vida, de gestá-la no interior de seu ventre ou o poder, de pela primeira vez, conseguir gastar mais do que o Ike Batista em suas melhores fases.

A descoberta do sexo do bebê é mais ou menos como ganhar na loteria (há mulheres que não têm mesmo, pelo menos é o que dizem, uma preferência definida). Você pode até não jogar, mas sempre pensa na possibilidade de ganhar e no que irá fazer quando a grana toda estiver nas suas mãos. Então, é mais do que justo que, ao descobrir se irá ter um menino ou uma menina, você queira comprar todas aquelas roupinhas lindas (gente tem coisa mais fofa do que roupa de bebê?), decorar o quarto dos seus sonhos (ainda que o resto de casa se pareça mais com um pesadelo) e gastar todas as suas economias (e a do marido, dos pais, quem sabe até da vizinha) comprando o enxoval mais lindo e maravilhoso de todo o mundo, pois é assim mesmo que as futuras mamães se sentem.

Alguns poucos casais preferem não saber o sexo do bebê até a hora do parto. Acredito que não haja muitos estudos sobre isso e não se sabe até o momento se é por algum tipo de superstição, crença religiosa ou se é apenas uma estratégia masculina para frear o consumismo desesperado que costuma assolar as grávidas na compra do enxoval. Sinceramente, fico com a terceira opção. Porém o não saber o sexo do bebê tem virado moda e é visto como algo cool, especialmente entre as celebridades que mais  parecem o Dalai Lama, de tanta serenidade que demonstram ao conseguir controlar a curiosidade natural sobre saber o sexo do bebê (a maioria de nós, no entanto, não parece ter conseguido alcançar tamanha elevação espiritual). Sinceramente acho que essa postura está mesmo relacionada ao status financeiro do casal, pois deixar pra comprar a maioria das coisas de última hora, só após o nascimento, sem lançar mão do milagre da multiplicação que permite o parcelamento das compras, só pode ser coisa mesmo de gente rica. Até porque, cá pra nós, nem o Pelé iria conseguir comprar todo um enxoval em peças verde ou amarelo que, como dizem por aí (há controvérsias!)  vão servir tanto para meninas quanto para meninos.

Apesar das compras, (vamos, admita! rs), serem um dos pontos altos da gestação, a fase em que a gente ainda não sabe o sexo do bebê também pode ser um período bem divertido. Quase todo mundo que você conhece vira vidente. Todos tentam advinhar o sexo do seu bebê e, pra isso, vale tudo: ver se você tem ou não uma dobrinha no queixo ao apertá-lo (algumas pessoas apertam tão forte que você passará a tê-la e até hoje não descobri se isso fez o seu bebê mudar de sexo), a simpatia do garfo e da colher, pegar um cordão e balançá-lo como um pêndulo e dependendo da direção que ele tomar, será menino ou menina, entre outras tantas. Não, realmente não irei contar aqui o que significa você ter ou não a dobrinha no queixo e o que quer dizer o modo como o seu cordão balança. Primeiro, porque não iria, de maneira nenhuma, estragar a alegria das suas tias, madrinhas e amigas e porque, sinceramente, percebi, ao longo das minhas próprias gestações, que esses critérios podem mudar, dependendo da memória de quem aplica esses “métodos infalíveis”. Tá bom, tá bom, admito que não acredito muito nessas coisas, mas pra seu consolo, às vezes elas podem dar certo (os famosos 50%) e é isso que mantém viva a reputação de muitas videntes que você encontrará pelo caminho. Agora, se no seu caso, sua tia ou madrinha for a mãe Diná, retiro tudo o que eu disse e pode sair comprando tudo já no segundo mês.

Uma coisa, tenho que admitir. Independente de qualquer crença, todo o carinho, o interesse e a atenção que você recebe nesses momentos é que, sem dúvida nenhuma, serão algumas das melhores coisas que você irá vivenciar durante a sua gravidez. E, pra falar a verdade, menino ou menina?  Tanto faz! Quando nasce, isso é o que menos importa. O que vale é que ter o seu bebê nos seus braços é uma felicidade tão grande que poucas experiências se compararão a isso. Será aquele amor nunca antes experimentado e que, independente da cor, seja ela rosa ou azul, fará você se sentir como se tivesse encontrado o pote depois do arco-íris, porque o amor, ah, esse é colorido!

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Adriane Sabroza
Psicoterapeuta por paixão e opção, mãe de três meninas lindas, minha maior realização e, nas horas vagas, aprendiz de escritora, sem nenhuma pretensão.



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