O adulto é a criança que cresceu e que passou a responder por suas próprias escolhas.

Por Josie Conti

O adulto é a criança que cresceu e que passou a responder por suas próprias escolhas. 

Mesmo após crescermos e nos tornarmos adultos,  nossa história de vida e essência de valores e memórias nos acompanha.

Crianças mimadas podem manter traços mais egoístas na vida adulta uma vez que não treinaram e nem perceberam no momento certo como acontecem as trocas afetivas e as vantagens sociais e emocionais decorrentes de realizá-las. Da mesma forma, pessoas que passaram por restrições e carências emocionais e/ou financeiras podem, mesmo depois de teoricamente sanadas suas necessidades, manter um sentimento forte de vazio e falta que pode prolongra-se indefinidamente.

A colunista da Folha, Mirian Goldenberg, explanou no artigo Tortura emocional sobre como ao longo de sua carreira vem entrevistando pessoas que, mesmo após constituírem famílias e firmarem carreiras de sucesso, permanecem se definindo como “mendigos emocionais” ou mesmo “pessoas farsantes”, pois sabem que mostram uma realidade ao mundo exterior, mas sentem-se sempre como artistas encenando vidas que não são as suas. São exemplos os maridos que não conseguiram lidar com a divisão da atenção do amor da esposa quando nasceram os filhos, pessoas que, mesmo com mais de 60 anos e já com os pais mortos, ainda remoem sobre o carinho e amor que não receberam na infância.

Temos também os avarentos que, mesmo vivendo em meio a riqueza, não são capazes de usufruir dos benefícios do dinheiro. Não conseguem vislumbrar a possibilidade do conforto ou mesmo do prazer de poder dar e receber.

Outro dia ouvi de um “possível avarento” que ele não gostava de ganhar presentes no aniversário, pois depois tinha que retribuir. Outro, não menos egoísta, queria saber o valor do presente que ia ganhar, para não gastar mais com seu presente do que com o que ganharia.

A miséria subjetiva dos exemplos acima são a cobertura de muitos bolos que vemos por aí e que chegam até nós disfarçados de carros de luxo e roupas de grife. Quantas vezes uma estima lastimável não é a real motivação para pessoa ter que se destacar em tudo e aparecer em público com coisas que considera superiores ao que os outros usam?

Quanto maior a armadura criada, mais frágil o seu conteúdo.

Amadurecer envolve a percepção desses mecanismos adaptativos falhos que vão sendo utilizados ao longo da vida para sanar carências e outras deficiências afetivas. Temos que ter em mente que cada pessoa usará os meios que conseguiu para sobreviver, mas quando acontece a percepção de que as escolhas que foram feitas até o momento não trazem real satisfação ou mesmo que elas, mesmo sem ser boas, repetem-se ao longo da vida, é o momento de rever suas origens. Por isso psicólogos e psicanalistas falam da infância e buscam os momentos onde essas fendas começaram a se formar. Afinal, o autoconhecimento precisa respeitar a história e os ciclos de toda uma vida.

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Josie Conti
Blogueira e empresária. Após trabalhar anos como psicóloga, abandonou o serviço público para manter seus valores pessoais. Hoje, a Josie Conti ME e sua equipe trabalham prioritariamente na internet na administração funcional, editorial e publicitária de redes sociais e sites como A Soma de Todos os Afetos e Psicologias do Brasil, além de várias outras fan pages que totalizam cerca de 6.5 milhões de usuários. É idealizadora da CONTI outra, o projeto inicial que leva seu nome.



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