Não solta da minha mão

“Que a voz dos teus olhos é a mais profunda que todas as rosas.” (E.E. Cummings)

Esqueçamos o fim e voltemos ao início. Quando sentimos com urgência e saboreamos os trejeitos e outras características sublimes, também vivenciamos o êxito que é reconhecer, apreciar e zelar por alguém. Na poesia acima de qualquer padrão estético, surgiu o convite amável da conquista e da confiança. E a expectativa, impiedosa e cotidiana, pediu licença, saindo de mansinho para dar lugar à tranquilidade. Já não havia mais a necessidade de deixar brechas para o acaso. Escolhemos.

Passado o início, o meio. Meio que confunde diante tantos rostos e experiências calorosas e, por vezes, dolorosas, mas essenciais no processo de autoconhecimento. Erros e acertos patrocinados pela transformação que é viver. Conhecemos e desconhecemos. A certeza é a dúvida. A confiança, ingênua, entra num diálogo filosófico com a insegurança. O medo da perda. Escolhemos.

Ainda construindo o caminhar, queremos saber do fim. Clamamos por respostas, pelo destino final, onde esperamos ser possível deixar o caos, abraçando o silêncio. O prazer recorrente e recíproco. Alguns diriam ser o resumo do amor. Imprevisibilidade. Escolhemos.

Seja lá qual for o caminho a ser desvendado, desarmo, desabo, desfaço, mas sob nenhuma hipótese, disfarço. Apenas peço: – Não solta da minha mão.




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