Não permita que momentos de tristeza se transformem em depressão

É delicado falar sobre a diferença entre tristeza e depressão. Uma linha tênue separa uma coisa da outra. Já tive depressão e sei como é difícil lidar com os sentimentos negativos que nos invadem ou com a total falta deles, que nos tornam simplesmente apáticos e sem vida.

Sofri de depressão de inverno por alguns anos quando morei na Alemanha. O inverno era algo que eu não tinha poder para mudar. Sem capacidade para me adaptar ao clima, a depressão se manifestava.

A depressão pode ter causas externas como: a morte de um ente querido, a perda de um emprego ou um trauma sofrido, como uma violência. Mas também há a depressão que ocorre por falta de substâncias no cérebro. Independente da ausência de motivos externos, a pessoa se sente deprimida por algo que está faltando em seu corpo.

Porém, muitas pessoas convivem com problemas sérios em suas vidas e não conseguem perceber tais situações como algo mutável: uma relação amorosa estagnada, uma condição física, um sentimento de injustiça e rancor ou até mesmo o clima de onde se vive.

Somos levados pela vida e muitas vezes acreditamos que uma situação é para sempre. Como num relacionamento falido, quando um ou dois passam a sofrer de depressão, pela falta da percepção e coragem de sair da relação. Ou alguém que sente tanta raiva de algo no passado e não consegue seguir em frente. Dominado pelo ódio, se deprime. Uma inveja constante. Um inverno rigoroso. Tantas coisas nos deprimem.

Para depressão existem vários tratamentos. Mas junto com cada um deles deve haver o olhar-se para dentro com coragem e honestidade. O perceber a própria vida sem “panos quentes”. O encarar, se for necessário, mudanças drásticas e doloridas, para o recomeço de uma nova vida.

Momentos de tristeza fazem parte da vida. Uma traição ou uma mentira, por exemplo, podem doer por um longo período. Mas viver a vida, aceitando uma coisa ou outra, transforma um momento de tristeza em algo perpétuo. E resignação para aquilo que faz mal, consequentemente se transforma em uma depressão.

Se um trabalho me faz mal, tenho que tentar mudar o mesmo, ainda que seja difícil. Se alguém me desrespeita, devo me afastar desta pessoa, ainda que doa por um tempo. Se um sentimento me machuca, tenho que trabalhar este sentir para exterminá-lo ou transformá-lo de alguma maneira. Se o inverno é demais, devo ir embora para outro lugar.

Momentos de tristeza fazem parte da vida sim, crescemos com eles. Mas não podemos aceitar esses momentos como algo corriqueiro do dia-a-dia.

É preciso ter força e coragem para olhar para si mesmo com transparência. Perceber as tristezas que nós permitimos fazerem parte de nossas vidas pela fraqueza do não dizer não. Não para aquilo que machuca, que desrespeita, que humilha, que diminui.

Sempre é tempo.

Aceitar viver um momento de tristeza é normal.

A vida inteira, não.

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Carolina Vila Nova é brasileira. Tem cidadania alemã, 40 anos. Escritora e Roteirista. É autora dos seguintes livros: “Minha vida na Alemanha” (Autobiografia), “A dor de Joana” (Romance), “Carolina nua” (Crônicas), “Carolina nua outra vez” (Crônicas), “Vamos vida, me surpreenda!” (Crônicas), “As várias mortes de Amanda” (Romance), “O dia em que os gatos andaram de avião” (Infantil), “O milagre da vida” (Crônicas) e "O beijo que dei em meu pai" (Crônicas). "Nosso Alzheimer." (Romance), Disponíveis na Amazon.com e Amazon.com.br



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