Não é preciso ser bonzinho para ser uma boa pessoa

Imagem: Rawpixel.com/ Shutterstock

Na verdade, o que nos define, em tudo o que somos e temos dentro de nós – nosso caráter, nossos princípios, nosso coração -, não se refere ao que falamos ou na quantidade de sorrisos que lançamos por aí e sim à forma como nos comportamos diante da vida, diante das pessoas, diante do mundo.

É injusto rotular as pessoas pela impressão primeira que se tem delas, bem como não se deve tirar conclusões precipitadas somente a partir de seu temperamento. Nem sempre quem sorri pelos quatro cantos do mundo possui boa índole e as pessoas que pouco sorriem não precisam ser maldosas. Se prestarmos atenção além do superficial, toda e qualquer pessoa tem muito a oferecer, além do que simplesmente aparentam.

Não raro, costumamos definir os outros por conta do seu comportamento em meio a todos, atrelando caráter à imagem que eles transmitem superficialmente, mesmo que pouco tenhamos conversado com eles. Por isso é que muitas pessoas são tidas como más somente porque não são extrovertidas ou porque são bastante sérias, quase o tempo todo. Da mesma forma, consideramos, muitas vezes, boas algumas pessoas, somente porque são simpáticas e extrovertidas.

Na verdade, o que nos define, em tudo o que somos e temos dentro de nós – nosso caráter, nossos princípios, nosso coração -, não se refere ao que falamos ou na quantidade de sorrisos que lançamos por aí e sim à forma como nos comportamos diante da vida, diante das pessoas, diante do mundo. Somos o que fazemos, somos o tanto de coisa boa que espalhamos ao nosso redor, somos nossas atitudes com todas as pessoas, sejam próximas ou não.

Quem não conhece pessoas que são assíduas frequentadoras de cultos religiosos, de missas, mas que não param de criar fofocas sobre todos? Quem nunca foi surpreendido pela notícia de que alguém que era tão bonzinho, tão cândido, acabou cometendo algum delito ou atitude antiética? E quem de nós já não recebeu uma grande ajuda, um apoio primordial de quem menos esperava, de alguém que pensávamos ser incapaz de bondade?

Enquanto formos levados a julgar antecipadamente as pessoas, sem as conhecer de fato, baseando-nos tão somente no que aparentam, em seu temperamento, continuaremos errando, continuaremos confundindo equivocadamente os semblantes delas com o que carregam em seus corações. Quando pararmos e nos demorarmos nos encontros com as pessoas, então estaremos adentrando as suas verdades. Ninguém precisa posar de bonzinho para se tornar uma pessoa boa, porque falar qualquer um fala, difícil é viver o que se diz.

COMPARTILHE
Marcel Camargo
"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

RECOMENDAMOS




COMENTÁRIOS