“Não apresse o rio – ele corre sozinho”

Imagem: Annette Shaff/shutterstock

“Deixar-se ir junto com a vida, sem tentar fazê-la ir para algum lugar, sem tentar fazer com que algo aconteça, mas simplesmente ir, como o rio. E, sabe, o rio, quando chega nas pedras, simplesmente se desvia, dá a volta. Quando chega em algum lugar plano, ele se espalha e fica tranquilo. Simplesmente vai se movendo junto com a situação em torno, qualquer que seja ela.”

Esta frase é de Barry Stevens de seu livro “Não apresse o rio – ele corre sozinho“.

No livro a autora se inspira na cultura dos índios americanos que extraem das dificuldades recursos internos e aprendizados para se aprimorarem. A calma e a confiança em si são os ingredientes básicos para este movimento fluido.

Por muito tempo me senti extremamente frustrada por não conseguir cumprir planos de longo prazo. Cada vez que criava planejamentos e estratégias longas (para um ano ou mais) sempre, absolutamente sempre, algum fator externo muito forte interrompia meus planos.

Assim, no decorrer de décadas, aprendi a trabalhar com planos curtos. De meses, de semanas, até que hoje em dia, sou uma grande aliada dos planos curtos e isto quando há um mínimo de planejamento. Acredito no trabalho de formiguinha “se a cada dia fizer um pouquinho de algo” em um certo tempo terei feito muito. Por tanto meu foco é sempre no hoje, no pouquinho que farei agora.

Com este movimento, de dentro para fora, de buscar estar presente na minha vida, guiada pelo meu coração, sendo apenas um rio que corre, fui naturalmente me desapegando de muita coisa. Pessoas, responsabilidades, trabalhos… algo mais forte em mim me fez enxergar e reconhecer o que é realmente importante para eu me dedicar.

Quanto mais planos, há mais expectativas, e consequentemente, maiores são as decepções e frustrações. Adoro a frase que um amigo diz: “dê chance ao suficiente”. Na cultura oriental, o samsara é o eterno ciclo de morte e renascimento e traduzo, vulgarmente, como o eterno cão que corre atrás do próprio rabo.

Aquele conceito interminável: “o dia que tiver dinheiro serei feliz”, “o dia que for promovido tirarei férias”, “o dia que eu tiver um namorado curtirei a vida”. A maioria de nós passa a vida criando essas ilusões, sendo que o único tempo que vivemos e que é real é o agora.

Se antes eu me achava uma desgraciada pela vida “porque meus planos sempre davam errados”, hoje me sinto uma grande agraciada por, desde cedo, ter aprendido (muitas vezes forçada pelas circunstâncias) a apreciar o que é real e o que estou vivendo aqui e agora.

Gratidão pelo que se tem, pelo corpo atual, pelas amizades já existentes, pelo ar que entra nos pulmões a cada instante, pelo trabalho atual, apreciar a casa… estar conectado com a realidade do momento, de forma desperta é a melhor forma de usufruir da liberdade, da vida e do que realmente tem valor.

Dando este espaço à vida, fluindo e aliando-se a ela, planos magníficos são tecidos para nós. Criamos o vazio necessário para a vida agir e nos presentear. Coincidências absurdas ocorrem.

Diariamente se usufrui do sentimento de “estar no lugar certo na hora certa”, simplesmente porque você se sente certo com a sua própria existência. Não luta com a vida, mas alia-se a ela.

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Helena Cecília de Fraga Verhagen
Helena é jornalista de formação e escritora por intuição. Nasceu em São Paulo, viajou pelo mundo e agora parou na Espanha. Em 2015 lançou seu primeiro livro "O Mundo é das Bem-Amadas" que trata sobre o amor próprio e intuição. Vive a vida para contar histórias. Escreve para o seu site, que leva o mesmo nome do livro (www.omundoedasbemamadas.com.br) e outras mídias que abordam sobre o tema autoconhecimento.


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