Na minha vida tem gambiarras, reciclagens e improvisos

Na minha casa (e vida) tem tanto improviso. Tem cadeira fazendo papel de criado mudo, tem garrafa de cerveja renascida em vaso de flor, tem poesia servindo de ombro amigo, tem travesseiro de aparador de dor.

Na minha casa tem muita gambiarra. Tem tijolo esticando o pé da mesa, tem caixote de papelão servindo de gaveta, tem quadros coloridos escondendo os ralados das paredes, tem um gato de energia entre minha alma e o seu sorriso.

Aqui em casa tudo é simples e criativo. Tem caixa de madeira virando prateleira de livros, tem vidro de azeitona transformado em castiçal, camiseta velha pra limpar o chão, tem esse espaço pequeno onde cabe um milhão de corações.

Aqui em casa tudo é reciclado, tudo tem dois lados. Do lixo orgânico a gente faz adubo, as sementes de frutas a gente planta nas caixas de suco, com a água da chuva a gente limpa o quintal. Do feijão de ontem a gente faz sopa, do sorriso solto a gente dobra o caldo e com o choro derramado a gente lava a alma.

Na minha casa tudo quer ser cíclico e fazer sentido. O que o mundo me oferece eu retribuo com carinho, eu doo para a terra vizinha o que se farta na minha e aceito de coração a ajuda bem vinda.

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Clara Baccarin
Clara Baccarin é poeta, escritora e tradutora. Autora do romance Castelos Tropicais (Ed. Chiado, 2015), e do livro de poemas Instruções para Lavar a Alma (Ed. Sempiterno, 2016). É uma contadora de histórias que adora poetizar o mundo. Escreve por amor e rebeldia: desconstruindo verdades, brincando com as palavras e ressignificando a vida.



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