Meu parente está com depressão, como posso ajudá-lo?

Previsões realizadas pela Organização Mundial da Saúde no século passado apontavam que em 2030 a depressão seria responsável por 9,8% do total de anos de vida saudáveis perdidos para doenças, porém, em 2010 o índice já havia sido atingido.

Atualmente sabemos que as doenças mentais, em especial a depressão, contribuem mais para uma piora significativa na qualidade de vida do que outros quadros médicos, além de provocar maiores prejuízos em tarefas diárias do que doenças cardíacas, artrite, diabetes e hipertensão. Portanto, ter consciência que a depressão não tem relação alguma com “vagabundagem” é parte importantíssima do processo.

Três coisas são cruciais quando se pretende auxiliar alguém com esse diagnóstico, sendo elas: Amor, paciência e conhecimentos. O foco primordial deste texto é fornecer conhecimentos, já que muitos dos comportamentos de um indivíduo depressivo podem tornar difícil a convivência, reduzindo tanto a paciência quanto o amor a este destinado.

O indivíduo não quer mais fazer nada!

A falta de motivação é um sintoma típico de pessoas com depressão. Qualquer atividade torna-se extremamente difícil, já que além de não haver energias para iniciá-la, agora ela lhe custa muito mais esforço. Se anteriormente levantar da cama e ir até a padaria era algo completamente normal, agora tornou-se uma tarefa tão árdua quanto correr a maratona sem haver se preparado nem ao menos por um dia.

Ele não escuta mais nada do que falo, desistirei de dialogar!

Muita calma nessa hora, afinal, trata-se de outra expressão da doença. A capacidade de concentrar-se e manter a atenção em algo agora está prejudicada. Existem muitos pensamentos catastróficos rodeando a mente dessa pessoa: “Só dou trabalho à minha família”; “Nunca conseguirei ser feliz de novo”, e daí por diante. Imagine só como deve ser difícil se manter focado em algo!

O convido para fazer várias coisas que sempre gostou, e mesmo assim nada parece bom!

Sim, como é de se imaginar pela linhagem descrita até o momento, também há uma correlação entre prazer e depressão. Por sinal um dos aspectos mais importantes da depressão é o de que o indivíduo deixa de sentir prazer em atividades que até então lhe eram prazerosas. Ou seja, não significa que sua companhia ficou desagradável, mas sim que há um prejuízo na própria capacidade de sentir (alta sensibilidade para circunstâncias desagradáveis; baixa sensibilidade para as agradáveis).

Ele deixa toda a comida no prato, mal está comendo!

Na depressão há uma alteração significativa no apetite. O mais comum é que o indivíduo não sinta fome, comendo muito menos do que o habitual, porém, existem muitos casos nos quais – em uma possível tentativa de preencher o vazio interior que anda sentindo – acaba por comer demais (Os manuais apontam uma alteração de cerca 5% no peso do indivíduo em apenas um mês!).
Portanto, não! Sua comida não se tornou péssima do dia para a noite!

Vive dizendo que é feio e não serve para nada!

A autoestima sofre um dos maiores abalos trazidos pela depressão. Não se diz essas coisas simplesmente por dizer, de fato o indivíduo sente-se esse lixo que relata. Não consegue mais perceber o que há de belo em suas feições, além de também não encontrar utilidade alguma em sua existência. “Deixo de tentar não só pela falta de energias, mas também pela certeza do fracasso!”

Em resumo, o que espero que se apreenda com esta leitura?

Como em todo processo de mudança, há a necessidade de perceber que as melhoras irão ocorrer de modo gradual. Não se pode comparar constantemente o indivíduo com aquilo que ele era anteriormente à depressão, mas sim com a forma como esteve no pior momento da doença, deste modo, haverá a oportunidade de reconhecer cada pequeno progresso, fator que tem extrema importância no trajeto rumo ao restabelecimento.

Saber que as alterações citadas acima são produzidas pela depressão tende a melhorar o prognóstico da doença, haja vista que muitas vezes os familiares “desistem” daquele indivíduo, isolando-o no lar. Cogitar que todo seu esforço não está sendo reconhecido pode produzir raiva, criando circunstâncias nas quais você acabará confirmando todos aqueles pensamentos destrutivos que o indivíduo anda tendo sobre si.

Procurar ajuda especializada é crucial. O acompanhamento psicológico tende a reduzir a duração e intensidade dos sintomas depressivos, além, é claro, de viabilizar a prevenção à recaída e o regresso do indivíduo àquelas atividades que a depressão o fez abandonar.

Diego Caroli atende em São Bernardo do Campo e São Paulo. Para mais informações e agendamentos entre em contato pelo email: diego_caroli@hotmail.com

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Diego Caroli Orcajo
Desde muito cedo interessado por todas aquelas histórias que mais ninguém desejava ouvir, sempre soube que todos poderiam ir muito mais longe do que acreditavam ser possível. Psicólogo clínico, atende em São Bernardo do Campo e São Paulo. Para mais informações e agendamentos entre em contato pelo email: diego_caroli@hotmail.com



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