Me retirar

Imagem de capa:  Morakot Kawinchan/Shutterstock

Outro dia não estava me sentindo bem disposta e antes de seguir a diante, me questionei o que eu poderia fazer para voltar “ao meu centro”, à calma, ao equilíbrio que faz escolhas certas e faz tudo fluir facilmente.

Tomei um banho quente com muita calma, coloquei uma música new age e fiquei sentada prestando atenção na minha respiração. Nesse processo lento de voltar à calma, me dei conta que antes eu podia levar dias para encontrar este centro, e hoje, levo, no pior das hipóteses, algumas horas.

Ninguém está imune de frustrações, de tristezas, de decepções… mas tudo é uma forma como lidamos com tais situações. Para mim, aprendi que o melhor é “eu me retirar”, voltar para dentro da concha, ouvir e drenar as emoções, sem reagir a elas, apenas aceitá-las porque passam. Depois que passam, consigo olhar para o mesmo problema com um novo olhar, sem me envolver emocionalmente, assim, consigo tomar alguma decisão prudente e alinhada com o que me fará bem.

Quem já despertou para se perceber, notar como pensa, o que sente e como age, consegue parar internamente e virar observador de tudo o que se passa do lado de fora, sem necessariamente reagir impulsa ou emocionalmente. É um processo gradual, mas vale muitíssimo a pena.

A relação consigo mesmo se torna muito mais saudável. A disposição e a alegria em viver é muito mais comum do que pode imaginar. Se trate com respeito. Se recolha quando não estiver no melhor humor e modo de resolver coisas… sua intuição, seu corpo, enfim, você sabe aí dentro o que é melhor fazer para dar um reset interno.

Quanto mais me aproximo de mim
Quanto mais me aproximo de mim, mais percebo o quanto não quero falar dos outros.
Quanto mais me aproximo de mim, mais não quero ter opinião formada ou ser dona da verdade.
Quanto mais me aproximo de mim, mais vejo o quanto tudo é simples quando não deixo minhas emoções guiarem minhas ações.

Quanto mais me aproximo de mim, mais me certifico que não sou absolutamente ninguém para dizer o que é melhor para o outro, saber o melhor para mim já é uma tarefa grande o suficiente.
Quanto mais me aproximo de mim, mais me certifico que menos sei, que menos conheço e que manter a abertura para novos aprendizados a cada dia é o grande barato da vida.

Quanto mais me aproximo de mim, mais me sinto revelada pelo meu corpo, pela minha voz, pelo meu cheiro.

Quanto mais me aproximo de mim, mais transbordo de uma profunda gratidão.

Sinto-me minúscula diante da grandeza do mundo, mas quanto mais me aproximo de mim, mais perceptível fica a minha própria grandeza de onde me nutro a cada instante.

A conexão do Silêncio

Tantas vezes nos sentimos perdidos. Pessoas, situações que não preenchem e somente o nosso silêncio parece satisfazer-nos, enriquecer-nos, agradar-nos.

Quantas vezes relutei contra o silêncio… o silêncio me dava sono, o achava boring, e agora, é meu melhor amigo. É nele que vejo o que é importante de verdade. É nele que sinto o colo quentinho que me acolhe, é nele que ouço o que devo fazer a cada dia para ser mais realizada.

Antes eu achava que eu tinha nascido para dar errado. Que tudo acontecia comigo porque fui a escolhida para dar errado. E de repente, como o passar dos tempos, leituras, práticas e consciência, eu fui me dando conta que tudo de errado era um convite para parar. Parar e silenciar. Parar de fazer coisas que só aumentavam a minha ilusão de fazer parte.

Sim, acredito que todos somos um. Mas se tornar um, inteiro (não metade ou um terço) é o grande desafio. Ser um é se retirar de todos os contextos, encontrar o único que faz sentido para a sua existência e voltar, sabendo que pode circular em todos e que pertence apenas a si mesmo.

No silêncio também descobri os porquês de dores físicas, no silêncio recebo o convite para chorar, é no silêncio também que sinto e ouço o pulsar do meu coração. Penso, mão direita, aí consigo sentir e ouvir meu coração pulsando na minha mão. Penso pescoço, ouço e sinto o pulsar no pescoço.

Esta profunda conexão com o próprio ser só é possível no silêncio. Esta conexão nos traz poder, não o poder para você ficar amigo de Donald Trump, o poder do respeito por si, o poder pessoal de se enxergar como parte de um todo e uma partícula de vida que faz parte e contribui para um todo muito maior.

Declaração do Perdão
Peço-te perdão se minhas escolhas não são as mesmas que você faria em meu lugar;
Peço-te perdão se minha felicidade vem de lugares diferentes da sua;
Peço-te perdão se você se sentiu decepcionada ou mesmo afrontada porque escolhi um novo caminho;
Peço-te perdão se o que deixa meus dias mais belos e ricos não é do seu gosto ou agrado;
Peço-te perdão se dentro de ti se sentiu envergonhada e decepcionada por tudo o que fiz de mim ou da minha vida;
Lamento a distância entre nós. Lamento eu não compreender porque nos afastamos.
Se houver algo que eu possa te dizer que acolha seu coração para diluir este muro de pedras geladas que se formou entre nós, por favor, diga-me.
Assim como eu te amo e te aceito como é, em toda sua completude (de erros ou acertos, belezas ou defeitos), peço-te também que me aceite e me respeite por quem eu sou. Se não fores capaz, deixo-te ir…
Se em teu julgamento fui capaz de cometer tantos equívocos, onde os bons e mal momentos que nós compartilhamos juntas não são suficientes para manter o nosso laço, respeito e apoio sua escolha.
Em minha vida apenas quero seres inteiros que não condicionam amor, compreensão e atenção. Presentes ou não, estejam bem guardados no meu coração. Que meus laços sejam inteiros e profundos, de verdade e para sempre. Se não é para haver amor, que não haja dor.

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Helena Cecília de Fraga Verhagen
Helena é jornalista de formação e escritora por intuição. Nasceu em São Paulo, viajou pelo mundo e agora parou na Espanha. Em 2015 lançou seu primeiro livro "O Mundo é das Bem-Amadas" que trata sobre o amor próprio e intuição. Vive a vida para contar histórias. Escreve para o seu site, que leva o mesmo nome do livro (www.omundoedasbemamadas.com.br) e outras mídias que abordam sobre o tema autoconhecimento.

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