Mais elegância e menos rancor, por favor

Elegância independe de raça, status, dinheiro, sexo e credo. Existem pessoas paupérrimas que são infinitamente mais elegantes que alguns ricaços que maltratam garçons, empregados, vendedores e afins.

Elegância. No dicionário sf. 1. Distinção de porte, de maneiras. 2. Graça, encanto. 3. Bom gosto. 4. Gentileza. 5. Cortesia.

Uma pessoa pode dizer um baita palavrão sem perder a elegância. Tudo depende de como, onde e com quem. Mas uma pessoa pode dizer palavras bem tingidas, bem cortadas e bordadas com fios de ouro e ser completamente deselegante.

Ser completamente deselegante por não acrescentar nada com suas palavras e exalar maldade gratuita no que diz.

Em ambos os casos não importa muito o quê se diz, mas a maneira como se fala; o momento em que se fala.

Uma pessoa pode estar usando trapinhos mal lavados numa festa e mesmo assim estar elegante. Ela pode não estar bem vestida, todavia, se ajudar ao anfitrião a recolher copos e taças ao final da festa, levar um presentinho para a dona da casa, não beber em demasia a ponto de dar vexame e não se atracar em assuntos irrelevantes que inflamam os nervos de qualquer cristão, acaba sendo muito mais elegante, graciosa, encantadora e gentil que uma perua vestida de Prada que só reclama do buffet, do calor e da música. Porque a elegância não está nas roupas que usamos, mas na maneira como nos colocamos frente às situações.

Elegância independe de raça, status, dinheiro, sexo e credo. Existem pessoas paupérrimas que são infinitamente mais elegantes que alguns ricaços que maltratam garçons, empregados, vendedores e afins.

Uma pessoa elegante respeita o ponto de vista do outro, mesmo que não concorde com ele. Não maltrata o outro só porque pensa diferente dele e sabe que o silêncio às vezes vale ouro.

Uma pessoa elegante é, sobretudo, uma pessoa educada. Não mete o bedelho aonde não foi chamada e se vez ou outra o faz, age com delicadeza, por amor: para ajudar, e não agredir.

Elegantes são aqueles que conhecem o próprio valor, porém não se julgam melhores que os outros. Que não se ressentem pelo fato do outro possuir algo que não possuem. Que torcem, vibram, se alegram quando uma pessoa próxima conquista algo.

São, também, pessoas que doam. Doam seus assentos no metrô, doam tempo à velhinha no elevador, doam roupas que não usam mais para quem precisa, doam palavras de afeto –  e nunca rancor -, enfim,  doam amor.

Respeito, mas não admiro pessoas deselegantes.

Comer de boca aberta, enfiar o dedo no nariz em pleno trânsito, arrotar em público, falar alto demais, gritar, colocar os cotovelos sobre a mesa, usar os talheres errados num jantar de gala ou shortinho de periguete em lugares inapropriados; chegar atrasado aos compromissos, não necessariamente são sinais de deselegância. Talvez seja apenas falta de boas maneiras – e de boas maneiras o inferno está cheio – ou fanfarrice.

Magoar as pessoas por pura incapacidade de lidar com as próprias faltas e carências; enxergar sempre o lado ruim das pessoas e nunca o bom; não aceitar as diferenças, não bancar as consequências das próprias escolhas, culpar os outros por nossos fracassos, falar mal dos outros, não respeitar o espaço alheio, errar e não pedir desculpas, invadir a privacidade alheia; ostentar, desmerecer, praticar racismo e homofobia, espalhar ódio nas redes sociais, ser ingrato, não estender a mão a quem precisa; reclamar o tempo inteiro, acreditar que o outro está no mundo apenas para nos satisfazer ou nos salvar, essas, sim, são atitudes deselegantes.

Gentileza não gera apenas gentileza, gera, também, elegância. Portanto, sejamos todos mais elegantes, por favor.

Lembrando, que: é quando a elegância entra no baile da vida que a festa realmente começa e fica bonita.

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Mônica Montone
Mônica Montone é formada em Psicologia pela PUC-RJ e escritora. Autora dos livros Mulher de minutos, Sexo, champanhe e tchau e A louca do castelo.



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