Loveland

Imagem de capa:  Kitja Kitja/Shutterstock

No passado, vivi uma paixão fulminante. Foi daquelas que a gente anda pelas ruas sentindo o cheiro da pessoa. Que cada nota de música parece ter sida feito “para nós”. Tínhamos uma sintonia absurda daquelas que eu podia estar sem bateria no celular, mas ao me aproximar da casa dele, ele sentia e abria a porta assim que eu chegava. Aquela paixão que parece ser guiada pelo cosmos.

Passado um tempo, a vida convidou a nos separarmos pela distância física com um oceano enorme entre nós. Nossa! Que dor. Depois, ambos seguiram seu caminho e se casaram com outras pessoas porém, sempre mantivemos o contato e um carinho imenso um pelo outro.

Parecia piada do Universo quando descobrimos que estávamos nos separando na mesma época. Chegamos ao ponto de usar o mesmo carreto de mudança no mesmo mês que nos separamos dos respectivos. Até a dor e desilusão da separação foi compartilhado na nossa amizade, já que a nossa química, pela alquimia da vida, virara irmandade havia anos.

Assim, mais uma vez, cada um seguiu seu rumo para se reconstruir novamente após a dolorosa experiência do divórcio. E mais uma vez, nos tornamos distantes, fisicamente, separados pelo atlântico.

Recentemente, em uma sexta-feira, marcamos um happy hour no skype. Falamos um tempão, até que ele me perguntou se eu não tinha alguma amiga para apresentá-lo. Me lembrei de uma grande amiga que tinha acabado de romper um namoro e estava em fase de reconstrução.

Imediatamente, falei para ele que iria sondá-la e depois enviava os contatos. Ela topou, mas antes me chamou de louca, afinal conhecia bem a nossa história do passado. Refresquei a memória dela, contando que tudo ficou mesmo no passado.

Eles saíram. Até onde sei, ainda não rolou nada. Comentei com outra amiga, achando o máximo que a nossa amiga “em reconstrução” sairia com “aquele homem especial” com quem vivi algo tão mágico no passado. E, mais uma vez, fui surpreendida por um comentário:
– Helena! Como você consegue? – escreveu ela.

Aí cheguei a conclusão que devo mesmo vir de “Loveland”. Escuta: eu amo a minha amiga e amo o meu amigo. Sim, já dormi com ele, mas hoje só tenho um profundo carinho. Já fomos felizes juntos. Por que, agora, ele não pode ser feliz com outra pessoa (apresentada por mim)? Não, neste caso não sinto o menor ciúmes ou possessão. Aliás, considero ambos sentimentos os mais tóxicos que já vivi em relacionamentos e dou graças à Deusa cada vez que percebo que não me identifico mais com eles.

Quero as pessoas felizes. Embebedadas de amor. Embalsamadas pelo cosmos. Enriquecidas de alegria. Cheias de si. Amantes. Amáveis. Se amando! Só isso!

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Helena Cecília de Fraga Verhagen
Helena é jornalista de formação e escritora por intuição. Nasceu em São Paulo, viajou pelo mundo e agora parou na Espanha. Em 2015 lançou seu primeiro livro "O Mundo é das Bem-Amadas" que trata sobre o amor próprio e intuição. Vive a vida para contar histórias. Escreve para o seu site, que leva o mesmo nome do livro (www.omundoedasbemamadas.com.br) e outras mídias que abordam sobre o tema autoconhecimento.

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