Do lado de dentro

Por Joana Nascimento

Resiliência. Desde que conheci o significado dessa palavra, introjetei-a no meu imaginário, sem me desapegar dela. Usaria quando fosse necessário. Era o meu curinga. E todo ser humano que se deixa ser humano vai precisar recorrer a esse imponente vocábulo em determinada(s) etapa(s) da vida.

O senso comum que dita que a nossa felicidade é conquista individual, talvez seja uma das únicas verdades absolutas da vida. Ser feliz tem como lastro movimentos muito mais internos do que externos.

Para absorver bem os pulsos positivos que os acasos da vida nos oferecem, o nosso introspectivo deve estar afiado. Assim como o organismo da mãe precisa estar preparada para gestar um bebê; como a terra deve estar arada para que as raízes cresçam; como a vela do barco deve estar na posição certa para chegar ao destino almejado.

Nessa mesma lógica, nós precisamos estar com o coração limpo e leve, com a mente em plena atividade, com as sinapses acontecendo de forma efetiva e harmônica para que, consequentemente, as boas possibilidades que a vida nos proporciona sejam apreendidas com todo fulgor. O sorriso é nossa grande assinatura, mas é bom lembrar que, os sinceros, que estampam nosso rosto, vêm do lado de dentro.

Imbuída da frase que eu mesma fiz para ser meu talismã – nunca estou sozinha, tenho minha cabeça e meu coração – busquei nas minhas referências exemplos – ficcionais ou não – que endossassem todo essa delonga de raciocínio. Me lembrei de vários filmes aos quais assisti, livros que li, músicas que ouvi e, em vários casos, reconheci peculiaridades que aproximaram personagens e eu líricos da minha idiossincrasia.

Para indicar alguns: Sofia, que tinha um mundo todo dentro de sua imaginação (O mundo de Sofia – Jostein Gaarder); Andy Dufresne (Tim Robbins), de Um sonho de liberdade (1994) que aturou anos numa prisão, onde ficou, injustamente, sofrendo mazelas de alto grau, porque tinha dentro de si utopias tangíveis. Ou ainda o protagonista do fantástico ‘Peixe grande e suas histórias maravilhosas’ (2003 – Tim Burton), que, em suas fantasias, vivenciava seus mais valiosos sonhos.

A mistura dos conceitos resiliência e felicidade neste texto foi proposital. São termos que têm relação sucessiva: primeiro a resiliência, depois a felicidade, embora os dois também possam caminhar lado a lado.

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Nota da Conti outra: o texto acima foi publicado com a autorização da autora.

securedownloadJoana Nascimento

Sou jornalista e aspirante a produtora e crítica cultural, e, bem incipiente, roteirista de cinema.
Acredito piamente no conhecimento do maior número de textos teóricos, narrativos e imagens como forma de evolução mental e espiritual.
Embora tenha vontade, sei que uma pessoa não muda o mundo, mas creio que cada cabeça individual é um universo diferente, e este, nós podemos melhorar sempre. O impacto positivo no todo externo será sempre progressivo e crescente.
Gosto de escrever sobre existencialismo e condutas de vida, sempre fazendo analogias com filmes, livros, música e teatro.
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As publicações do CONTI outra são desenvolvidas e selecionadas tendo em vista o conteúdo, a delicadeza e a simplicidade na transmissão das informações. Objetivamos a promoção de verdadeiras reflexões e o despertar de sentimentos. Sejam sempre bem-vindos! Josie Conti



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