Ilustrador imagina se crianças miseráveis tivessem a infância que mereciam

Tendo criado uma série de imagens satíricas sobre a fisionomia de policiais ao redor do mundo, o pintor e ilustrador Gunduz Aghayev, do Azerbaijão, está de volta com uma série de fotos chamada “Imagine”.

Dessa vez, as ilustrações são sobre crianças, especificamente aquelas que tiveram uma vida curta, precária e miserável.

Toda criança, independentemente de sua origem, merece uma infância digna de oportunidades para seu desenvolvimento. Mas essa é uma fantasia bem distante da realidade.

A desigualdade social encrustada em praticamente todos os cantos do mundo, aliada à falta de educação e falhas de criação dificultam o processo de aprendizagem experimental que é tão crucial para que as crianças obtenham recursos e estímulos, e possam crescer de forma saudável.

Com suas imagens de teor fortemente crítico, e hiper-realistas, Gunduz Aghayev nos apresenta retratos superlativos de crianças em condições adversas, pondo uma luz em questões escuras como a pobreza, fome, miséria, desigualdade e subnutrição.

O pintor e ilustrador Aghayev condena aqueles que usam as crianças para propósitos marginais de guerrilha, e se esquecem da subsistência de quem se sacrifica para servir a fins egocêntricos.

Com estilo, Aghayev transforma guerra em paz, subvertendo fotos históricas devastadoras de crianças atingidas por conflitos violentos em ilustrações felizes.

Gunduz Aghaeyv apresenta, primeiro, uma foto antiga que mostra uma criança em situação desesperadora e, em seguida, nos surpreende com ilustrações críticas que não brincam com algo sério, mas sim conotam resoluções imaginárias; perspectivas esperançosas sobre um pessimismo enrijecido na vida dessas crianças infelizes.

Algumas pessoas têm elogiado essas ilustrações esperançosas, enquanto outras as acham ofensivas e de mau gosto. O fato é que há uma sensibilidade que emana dos efeitos terríveis provocados pela guerra e pobreza sobre as crianças.

Quando fotos horríveis são recriadas como ilustrações coloridas, isso não representa algum tipo de exibicionismo irônico, mas sim um senso de otimismo criativo para com o amanhã.

A partir dessas imagens, Aghayev alterou, por si só, o futuro de crianças destinadas à fatalidade precoce. Com habilidade, ele desenhou as pequenas vítimas de tragédias de uma forma que elas gostariam de ser vistas. O resultado é aprazível, mas também entristecedor. Veja:

1. Crianças em milícia, na Guerra do Vietnã

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2. Foto de Kevin Carter (vencedora do prêmio Pulitzer em 1993)

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3. Bebês em fogo cruzado, na Guerra do Vietnã

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4. Morte de Aylan Kurdi (Síria)

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5. Morte do filho do jornalista Elmar Huseynov

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6. Duas garotas afegãs, noivas de um casamento obrigatório

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7. Rapaz desabrigado aponta para seu quarto destruído, após um bombardeio alemão (1940)

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8. Dr. Janusz Korczak com algumas crianças órfãs

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9. Garoto japonês em frente à uma pira de cremação, trazendo seu irmão morto nas costas

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Eduardo Ruano
Escritor e redator por hobbie e profissão. Me considero uma pessoa racional, analítica, curiosa, imaginativa e em constante transformação. Gosto de ler, escrever, correr, assistir séries, beber e viajar com os amigos. Estudioso de psicologia, filosofia e comportamento humano. Também sou interessado em arte, literatura, cultura e ciências sociais. Odeio burocracias, formalismos e convenções. Amo pessoas excêntricas, autênticas e um pouco loucas, até certo ponto. Estou sempre buscando novas inspirações para transformar ideias em palavras.



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