“Homão da porra”? Ah, vocês estão entendendo tudo errado

Que me perdoe o Rodrigo Hilbert e o seu seleto grupo de seguidores. Nada contra o masculino viril, que faz comida e constrói o impensável com as próprias mãos. Na verdade, já estava em tempo dos homens preocuparem-se em demonstrar habilidades mais versáteis, afinal, para as mulheres sempre foi assim. Mas é preocupante perceber uma sociedade atribuindo títulos tão homéricos para questões pequenas. Porque o mundo ainda é machista e ignorante. Enquanto isso, “mulherões da porra” estão sendo negligenciadas.

Mas calma, esse texto não é para desmerecer o Hilbert e muito menos para frear essa igualdade de tarefas e responsabilidades que deveríamos partilhar com o sexo oposto. Nada disso. O ponto cego dessa cultura toda de homão acontece no momento em que perdemos o controle. E como estamos descontrolados. Precisamos e, urgentemente, é praticar o discurso do respeito diário, em aceitar a potencialidade de que nós homens, somos sempre uma ameaça para qualquer mulher. Que até nas atitudes mais simplórias, podemos atingi-las ao direcionarmos todo um revés negativo na vida delas. Física ou emocionalmente, não temos absolutamente nada para nos vangloriarmos. Desculpe, ainda estamos na categoria de homenzinhos.

Caímos desmedidamente e constantemente na balança da empatia e do zelo para quem sempre esteve lá, educando-nos, amando-nos e, principalmente, dando-nos a oportunidade da vida. Falhamos. Então, chegar e bater palmas por essa onda massiva de comprometimento doméstico é muito pouco. Também não é sobre fazer algum tipo de retratação ou compensação. É sobre reconhecimento. Sempre foi. E no fundo, sabemos, é o que elas mais precisam.

Em tempos de elogios distorcidos, “homão da porra” deveria estar mais para um Zygmunt Bauman. Sociólogo que deixou um legado imensurável na hora de debater essas pressas que sentimos no coração. Mais ainda, Bauman incumbiu, inúmeras vezes, o olhar para a igualdade. Igualdade emocional antes da social. Sem vaidades e sem egos.

Eu não sei fazer metade das coisas que o Hilbert sabe fazer. Em alguns dias, até acordo com um pouco de inveja dele. Mas depois passa. Passa porque ainda estou mais preocupado em entender o meu papel no meio delas, mulheres. Passa porque não quero repetir os erros misóginos e repressores dos que vieram antes do meu tempo. Passa porque, honestamente, faço o possível para olhar em direção aos “mulherões da porra” da minha vida e saber que o mínimo a ser feito é construir amor e liberdade. Do jeito que elas quiserem.

Imagem de capa: GNT/ Globo.com

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