Fim de ano: muitas emoções sem peso na consciência

Em dezembro acontecem as confraternizações de final de ano. São as festinhas no trabalho, comemorações na faculdade, reuniões com amigos e familiares, Natal, réveillon. Período festivo que marca simbolicamente o final de um ciclo de maneiras diferentes: para uns, festejar sucesso e conquistas; para outros, esquecer decepções e fracassos. Para muitos, aspectos tanto positivos quanto negativos estão presentes, mas, para todos, é época de renovar sonhos e esperanças.

É irrelevante se as pessoas cometem exageros por alegria ou tristeza: a balança será o juiz implacável no futuro. E seus ponteiros despertarão o monstro da culpa, do arrependimento, da autorrecriminação. É preciso deixar claro que a preocupação deve ir além do ganho de peso. Preservar a saúde é o mais importante, portanto, deve-se observar a qualidade e a quantidade do que se come e bebe, evitando intoxicação alimentar e sobrecarga de órgãos, como fígado, pâncreas, estômago e rins.

Algumas dicas podem ajudar a evitar excessos alimentares. Antes de comparecer ao almoço do pessoal do escritório, ao happy hour com os colegas da faculdade, à ceia em família, exercite uma expressão que lhe será muito útil: Não, obrigado. Sempre com um sorriso, diga Não, obrigado, à oferta de mais pernil, outra fatia de torta, mais uma taça de vinho por parte de sua mãe, sua sogra, seu melhor amigo, do seu chefe. Eles podem estranhar a recusa, mas não ficarão zangados com você, e até aprovarão sua força de vontade.

O acúmulo de compromissos e tarefas faz com que as pessoas muitas vezes troquem as refeições por lanches, ou mesmo passem horas sem comer. Estômago vazio é sentido como privação pelo organismo, então é fácil entender por que se come mais do que o necessário depois de um dia atribulado, com consumo de salgadinho, café ou algum petisco, e sem arroz, feijão, legumes e verduras, ou seja, comida de verdade. Lanchinho é para ser feito entre as refeições, não pode substituí-las, e deve-se dar preferência a guloseimas saudáveis, como frutas secas, nozes, sucos naturais.

No restaurante ou em qualquer outro ambiente, tome cuidado com as entradas, coma devagar e, antes de repetir algo, seja salgado ou doce, dê tempo ao cérebro para receber a informação e registrá-la. Comer rápido contribui para comer mais. Nestas ocasiões também se come por distração, por conta de estímulos externos. É comum pessoas que relatam acabar com um pacote de biscoitos sem perceber enquanto assistem à televisão, por exemplo, porque a atenção não está dirigida ao ato de comer. Isto também acontece no barzinho, a pizza gigante some num piscar de olhos.

Orientação para quem está tentando emagrecer: não caia na armadilha do Já que. Trata-se de autoindulgência que aciona os pensamentos sabotadores: Já que saí da dieta mesmo, não vou me preocupar com o que estou comendo. Já que depois de tanto esforço, só emagreci 1kg, e hoje é festa. Já que tive um dia difícil, eu mereço mais um pedaço. Antes de sucumbir ao Já que, pense nas desvantagens de ganhar uns quilinhos extras. E pense também nas vantagens de escolher pratos menos calóricos, de optar por porções menores e não repeti-las, por mais irresistíveis que sejam, e de não abusar da bebida alcoólica.

Mas se não conseguir resistir às tentações, no dia seguinte, faça uma desintoxicação, opte por uma alimentação leve, beba muito líquido, principalmente água. Não desanime, trabalhe sua resistência, porque amanhã tem outra festa.

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Maria Cristina Ramos Britto
Psicóloga com especialização em terapia cognitivo-comportamental, trabalha com obesidade, compulsão alimentar e outras compulsões, depressão, transtornos de ansiedade e tudo o mais que provoca sofrimento psíquico. Acredita que a terapia tem por objetivo possibilitar que as pessoas sejam mais conscientes de si mesmas e felizes. Atende no Rio de Janeiro. CRP 05/34753. Contatos através do blog Saúde Mente e Corpo.



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