Felicidade é o novo preto

Veste o teu melhor sorriso e vem me ver. Não se preocupe com a roupa ou com o penteado, o que vale pra mim é o que vestem os teus olhos e a tua boca, e não estou falando de rímel ou batom. Falo daquele brilho especial e daquela curvatura singular que se desenha nos seus lábios toda vez que você sorri.

Também não há roupa que se iguale à elegância, ao charme desengonçado de quando você tropeça em suas próprias pernas ou de quando derruba a bebida de alguém sem querer com seu apaixonante jeito estabanado de ser.

Bermuda desbotada, chinelos e aquela camisa surrada dos domingos: o que para uns é um verdadeiro desastre, pra mim é poema visual quando estão no seu corpo. Não importa a combinação, desde que seja o seu olhar que eu encontre acima dela. A autenticidade não é encontrada no símbolo de uma grife, tampouco está nos olhos de quem vê, como dizem por aí. Ela está no constante exercício de existir, dia após dia, sendo quem quisermos ser.

Não vou mentir, eu sempre vou te preferir nua, envolta nos lençóis da minha cama ou na calma de um abraço meu. E se for pra vestir algo, que seja essa luz cintilante que só o teu sorriso tem.

Às vezes passo horas observando o céu azul todo salpicado de nuvens, e chego à conclusão de que é quase a mesma coisa que ver você dormir. As belezas do mundo só fazem sentido quando comparadas a você. Simples assim. A gente é que complica demais as coisas. O que a gente precisa mesmo é desfazer o nó dos dias, não o nós de uma vida toda. Ficar abraçadinhos em noites frias, com cobertor, chocolate quente e um filme qualquer – pra não precisarmos prestar atenção em nada que não seja você e eu.

As coisas do mundo podem tentar te assustar, como acontece com uma criança em noite de tempestade, mas acredite em mim, quando você estremecer, eu farei qualquer coisa pra vê-la sorrir (todas as minhas piadas são ruins, eu sei, mas dá pra tentar resolver te mostrando a minha dança super secreta que batizei de “arrocha flamejante”).

Olhe bem à nossa volta, muitas pessoas tentam correr atrás do que já passou enquanto o amanhã praticamente se esfrega nos olhos delas. Não sejamos como elas. Vamos fazer diferente, caminhando na direção um do outro, até milhões de abraços se completarem. Vamos exagerar! No número de beijos, de abraços e de declarações acaloradas. O mundo anda econômico demais em riso e amor – uma verdadeira inflação de seriedade e solidão.

Vem morar comigo no meu desejo de um mundo mais simples, um lugar com mais “rárárá” e menos “mimimi”. Vamos nos mudar um para o peito do outro.

Ouvi dizer que felicidade é a última moda em Paris, que tal aderirmos a essa tendência?

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Jocê Rodrigues
É escritor, editor e repórter responsável pelo conteúdo jornalístico do CONTI outra.



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