Eu comigo mesma

Poucos dias atrás em um papo descontraído, uma amiga me revelou seus sonhos caso ganhasse na loteria. Para a minha surpresa, eu estava em seus planos. Quando ela me revelou o que gostaria de fazer por mim, chorei, sem perceber, de profunda tristeza… E aquelas palavras perduraram na minha mente por dias seguidos.

Após tanto pensar, decidi encarar internamente o por quê daquelas palavras terem mexido tanto comigo. E honestamente, me doeu muito porque eu, caso ganhasse na loteria, não teria atitudes de tamanha generosidade comigo mesma. Assim como ela, tinha planos para muitas pessoas queridas, mas para mim mesma, não tinha sonhado nada em especial. Como? Como fui de tamanha cretinisse comigo mesma?

Sabendo e estudando tudo o que sei, não tinha ainda me dado conta que nos meus pensamentos mais profundos, eu estava sendo uma grande sacana comigo mesma. As palavras dela entraram como uma luz dentro de mim… Aproveito que Leonard Cohen está em voga e cito sua frase: “Em tudo há uma fresta e é por ela que a luz entra”. Foi isso! Minha amiga entrou em uma fresta e eu comigo mesma me senti extremamente desconfortável em reconhecer a luz na minha escuridão.

Meditei. Fiz orações de perdão. Quebrei minha cabeça pensando como eu poderia reparar tal dano com meu próprio ser. Escrevi no meu diário. Busquei novas formas de me paparicar, com a mesma sensação de quando fazemos algo “errado” em um relacionamento a dois e aí damos o nosso melhor para tentar repará-lo, sabe? É ridículo, parecemos bobos.

Pois é, no meu relacionamento comigo mesma foi muito difícil encontrar uma forma que fosse natural, e não forçada, e que eu sentisse que era um amor genuíno de reparação das dores. Até que, após tantos exercícios, tentativas diversas, um dia escrevi isso para mim mesma. Minha lógica partiu do que eu costumo fazer facilmente para os outros, e convidei, a mim mesma, para fazer por mim.

Compartilho com vocês, e quem sabe, ajuda mais alguém aí a ficar bem na fita consigo mesmo:

Hey! Pare e se olhe no espelho. Não busque as imperfeições, mas sim, somente perfeições e se elogie. Somente você é responsável por reconhecer sua própria beleza. Ouça suas músicas favoritas. Dance para si. Cante para si mesma. Encontre o tom da sua voz que considere o mais agradável e que você se sinta bem! Se admire! Se abrace. Se beije, sim, beijinhos no braço, nas mãos. Sorria para si.

Gargalhe com seus pensamentos bestas. Ria-se do que faz de errado. Se contagie de si mesma. Se arrume, ajeite o cabelo como gosta. Se perfume com o seu perfume favorito. Use sua roupa mais bonita. Beba o vinho na sua melhor taça. Coloque uma mesa com velas para um jantar só para você! Sim! Você merece todo esse cuidado e atenção. Cozinhe com todo o seu amor. E ao final de cada dia seja grata por ser sua melhor companhia nesta vida.

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Helena Verhagen
Helena é jornalista de formação e escritora por intuição. Nasceu em São Paulo, viajou pelo mundo e agora parou em Lisboa. Em 2015 lançou seu primeiro livro "O Mundo é das Bem-Amadas" que trata sobre o amor próprio e intuição. Vive a vida para contar histórias. Escreve para o seu site, que leva o mesmo nome do livro (www.omundoedasbemamadas.com.br) e outras mídias que abordam sobre o tema autoconhecimento.



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