Enquanto você dá inúmeras chances à mesma pessoa, tem alguém querendo só uma chance pra te fazer feliz

Imagem de capa: SpeedKingz, Shutterstock

E assim vamos deixando passar por nós gente que seria o amigo de todas as horas, que nos amaria muito além da cama, deixando escorrer por entre nossas mãos oportunidades únicas de emprego, de viagem, de conhecer o novo, de se lançar à amplitude de que se valem os nossos sonhos.

Sempre existirão outras pessoas, outros empregos, outros momentos, isso todo mundo sabe. No entanto, como é difícil nos desprendermos do que já pensamos ser nosso, do que já faz parte de nossas vidas, mesmo que seja algo ou alguém que nada de bom tem a acrescentar. Às vezes, até nos apegamos ao que faz mal, ao que machuca, somente para não termos que nos mexer e sair à procura de coisas novas.

Temos certa necessidade de tranquilidade, de mantermos algumas certezas em nosso caminhar. Incertezas demasiadas nos intranquilizam, pois queremos algum tipo de serenidade em meio a essa vida que costuma virar tudo de cabeça para baixo, sem hora marcada. Por essa razão, acabamos, muitas vezes, guardando conosco aquilo que parece seguro, mesmo que não seja o mais acertado, ainda que se trate de alguém que nem se preocupa conosco um mínimo que seja.

E assim vamos deixando passar por nós gente que seria o amigo de todas as horas, que nos amaria muito além da cama, que nos roubaria beijos e sorrisos na ordem e na medida exatas. E assim vamos deixando escorrer por entre nossas mãos oportunidades únicas de emprego, de viagem, de conhecer o novo, de se lançar à amplitude de que se valem os nossos sonhos. Tudo porque preferimos manter – mesmo que com dor – o que aparentemente já temos.

Na verdade, abrir mão do que já é uma certeza, por conta do que é incerto e duvidoso pode ser decepcionante, pois nem tudo dá certo, nem todos se mantêm iguais, reviravoltas acontecem. E, lá na frente, poderemos nos arrepender, poderemos perceber que o que já tínhamos era suficiente, que quem estava conosco era mesmo a pessoa certa, que aquele amigo era mais leal, enfim, estaremos, sim, sujeitos a escolhas erradas. Nem por isso erraremos sempre que escolhermos.

Jamais poderemos controlar tudo o que faz parte de nossa jornada, nem teremos como prever o que aconteceria se agíssemos de uma ou de outra forma. Sempre que nos lançarmos ao novo, estaremos correndo riscos, estaremos partindo rumo ao desconhecido. No entanto, poderemos ao menos manter a certeza quanto ao que e a quem não queremos mais fazendo parte de nossas vidas, porque assim estaremos mais seguros no propósito de ser feliz, sabendo que o que emperra já se foi.

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Marcel Camargo

“Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar”.

É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.


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