É tarde! É tarde!…: entenda a Síndrome da Pressa

Quem leu Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, lembra-se do Coelho Branco, sempre dizendo “Ai, ai! Ai, ai! Vou chegar atrasado demais!”, ao consultar o relógio de bolso do seu colete. O simpático personagem que vive correndo, não se sabe muito bem para onde ou por quê, é o símbolo da síndrome da pressa, ainda não reconhecida como transtorno psicológico, apesar de ser estudada desde 1980. Confundida com o estresse, que se trata de reação a estímulos ambientais e tem causas reais, sua principal característica é a pressão muitas vezes imaginária e desnecessária que a pessoa experimenta para resolver tudo ao mesmo tempo, o mais rápido possível.
O indivíduo que sofre de síndrome da pressa vive com a sensação de que o dia deveria ter mais de 24 horas, para dar conta de seus compromissos, mesmo aqueles sem urgência; demonstra constante irritação, impaciência, problemas de sono e tensão; apresenta agitação constante, passo acelerado, fala atropelada e escrita abreviada. São os apressadinhos no trânsito, que acionam a buzina antes mesmo que o motorista da frente tenha tempo de observar que o sinal ficou verde; aqueles que não têm paciência de aguardar a vez em filas, por exemplo, e até de esperar que outra pessoa termine de falar, mostrando-se hostis e agressivos, por pretenderem que os outros sigam seu ritmo.
Percebem-se alterações na autoestima e na confiança do apressado, pois, ao valorizar a quantidade em detrimento da qualidade, ele busca cumprir um tal número de tarefas que torna o objetivo impossível de alcançar, o que provoca frustração, autocobrança e sensação de incapacidade. Para lidar com pensamentos e emoções negativos, o indivíduo pode recorrer ao uso de remédios e de substâncias como álcool e drogas, e desenvolver compulsão alimentar, comportamentos que podem causar depressão, distúrbios gástricos, transtornos alimentares, insônia, dores musculares, fadiga e pressão alta.
A síndrome da pressa provoca muito sofrimento e prejuízos pessoais e sociais. O tratamento indicado foca na mudança da rotina, visando controle da ansiedade e diminuição do estresse. Para melhorar a qualidade de vida, a orientação é relaxar com músicas suaves, observar a natureza, dedicar-se mais à família e aos amigos, realizar atividades fora da rotina, organizar-se priorizando as tarefas mais importantes, dormir no mínimo oito horas e adotar bons hábitos e alimentação saudável.

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Maria Cristina Ramos Britto
Psicóloga com especialização em terapia cognitivo-comportamental, trabalha com obesidade, compulsão alimentar e outras compulsões, depressão, transtornos de ansiedade e tudo o mais que provoca sofrimento psíquico. Acredita que a terapia tem por objetivo possibilitar que as pessoas sejam mais conscientes de si mesmas e felizes. Atende no Rio de Janeiro. CRP 05/34753. Contatos através do blog Saúde Mente e Corpo.



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