É preciso se perder para então se encontrar

Às vezes, é quando você se perde que encontra um novo caminho, um novo você. Distante das coisas incômodas, das pessoas nocivas e dos programas que pouco agregam, o momento de reservar para si, algo mais. Começar novas leituras, pesquisar um álbum diferente para ouvir, assistir uma peça ou um filme completamente diferente do habitual. Todos são exercícios que auxiliam, mas que não são determinantes. Porque autoconhecimento é nutrido por vontade e, quanto mais o tempo passa, mais você percebe sobre diferentes gostos. Pode parecer que está se tornando seletivo demais, afinal, até mesmo os relacionamentos já não carregam o ímpeto de outrora. Mas não, isso tudo corresponde sobre não estar satisfeito com o velho. O coração, agora calejado, preza intimamente por ligações que somam, instigam e refletem outro tipo de comportamento. É o verdadeiro viver desabrochando dentro de você.

Ninguém sabe todas as respostas e os que vivem em certezas, certamente bem menos. Mas quando você permite se abraçar, reconhecendo a própria solidão, nada parece assim tão complicado. Porque solidão faz bem. Estar consigo exige coragem e muito amor. E é no amor primeiro o princípio do outro. Demandar carinho, admiração e cuidado vindo de dentro, prepara e renova o fôlego no caso de tropeços e inquietudes jogadas pela vida. Não há tempo perdido. Não há silêncio ignorado. Não há arrependimento mantido. A confusão emocional do passado dá lugar para o sorriso de quem quer construir o hoje com mãos firmes e prazeres estendidos e sentimentos compreendidos. Se perder não é desespero, fuga ou qualquer outro escape filosofal. Reconhecer a necessidade da mudança não é mentir pra si e tampouco fingir ser quem não é. Nada disso. Estar fora da zona de conforto mostra evolução. E como precisamos todos evoluir. Deixando num canto todos os conceitos datados, enlatados e maltratados aos corações.

É preciso se perder para então se encontrar. É uma escolha. Uma escolha que implica disposição e entrega. Mas não menos sentir. Pois não importa o final do caminho, desde que se esteja conhecendo cada instante ao longo do coração, do seu coração. Não é por lá que tudo começa?




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