É preciso mais que a esperança

Esperar… Se consultarmos um dicionário, certamente encontraremos vários significados para este verbo. Ficar em algum lugar até que chegue alguém ou alguma coisa que se tem como certa ou provável; aguardar; contar com; ter esperança; supor; acreditar, etc. Estes e outros tantos possíveis significados nem de longe conseguem expressar toda a expectativa, o desejo, a intensidade de sentimentos que estão por trás do ato de esperar.

Uma mãe que espera seu bebê, não somente aguarda ansiosamente a sua chegada, mas faz desta espera a mais fiel tradução de um sonho. O noivo, ao esperar a noiva no altar, consegue quase que simultaneamente fazer uma retrospectiva dos momentos já vividos e avançar no tempo imaginando todo o por vir.

A espera de um resultado importante, seja ele um diagnóstico médico ou a lista de aprovados em um concurso, pode representar a mais longa e penosa espera de nossas vidas ainda que tenha levado somente alguns instantes. Uma coisa, porém, sempre acompanha o ato de esperar: ela se chama esperança.

A esperança é uma crença emocional na possibilidade de resultados positivos. Ela depende de uma certa perseverança, já que pressupõe a crença de que algo é possível, mesmo quando tudo indica o contrário. Neste sentido, a esperança se aproxima muito do que chamamos de fé. A esperança nos faz continuar quando a vontade imperiosa seria parar e deisistir. Ela nos aponta que caminho seguir, quando, na encruzilhada da vida, nos sentimos meio perdidos. A esperança faz a criança não somente crer no Papai Noel, mas que ele voltará a cada Natal, com um presente ainda mais bonito.

A esperança é capaz de fazer os casamentos duradouros, uma mãe jamais abandonar um filho com problemas, um amigo pedir perdão. Muitas coisas são possíveis através da esperança. Mas é preciso mais que a esperança para fazer a diferença. É preciso tomar posse e fazer dela a sua realidade. Não viver de esperança, mas viver a esperança. Ainda que, às vezes, isso beire a insanidade. Não, isso pouco importa quando loucura mesmo é tentar viver sem esperança.

A Imagem de capa é do filme francês “Hope”.

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Adriane Sabroza
Psicoterapeuta por paixão e opção, mãe de três meninas lindas, minha maior realização e, nas horas vagas, aprendiz de escritora, sem nenhuma pretensão.



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