É preciso deixar ir o que não te serve mais

Quantas vezes nos apegamos a sentimentos antigos? Quantas vezes nos culpamos por algum fato no passado? Quantas vezes não aceitamos o que está acontecendo nesse momento? Quantas vezes sonhamos com um futuro diferente? Quantas vezes tentamos fugir de tudo que está a nossa volta?

Imagine que você tem um armário do tamanho do seu quarto, que esse armário te pertence desde que você se conhece por gente e que você tem a liberdade de guardar qualquer coisa e também de retirar qualquer coisa nele.

Imagine que o tempo foi passando e você foi guardando tudo lá: o que era bom, o que te servia, o que era importante, o que você ganhou, o que você passou, suas vitórias, suas descobertas, os seus gostos… Você também guardou o que te fez sofrer, o que era ruim, o que não te servia, o que não era importante, o que você perdeu, o que você não gostou, suas derrotas, suas tristezas e suas preocupações.

Imagine que você foi guardando tudo sem uma organização e sem analisar se o que você guardava era realmente necessário – ou se isso hoje seria útil a você. Que por alguma razão, você guardou tudo que te deixa triste nas primeiras prateleiras, na porta do armário ou outro lugar fácil de lembrar. Você simplesmente não sabia que poderia organizar e de certa forma gerenciar o seu armário, você só fazia o que foi ensinado e o que viu todos fazendo, por repetição.

Ao saber que você é a única pessoa capaz de mexer em seu próprio armário, o que você poderia fazer?

Você pode entrar ali e olhar com compaixão, você pode organizar tudo que está guardado, você pode limpar, você pode jogar fora o que não é mais útil — o que não cabe mais em você, na sua vida. Não é bom esconder tudo em um armário que não está cabendo mais nada.

Ao longo da nossa vida, nós guardamos várias recordações, vários sentimentos, vários conceitos ou preconceitos, várias máscaras, vários “Eu”, vários gostos, várias histórias, várias mágoas, várias alegrias e várias tristezas em nossa mente. Nossa mente é rondada por esses pensamentos, sentimentos e sensações a todos os momentos. Qualquer acontecimento pode desencadear uma série de memórias ligadas ao nosso passado.

Para que hoje possamos ser livres do que nos aconteceu em outros tempos, é necessário deixar ir pensamentos, emoções e sentimentos. Não que tenhamos que procurar o prazer e fugir da dor, mas sim, que possamos viver baseados no que está acontecendo no momento e não no que acontece agora em comparação ao nosso passado.

O passado já serviu ao seu momento. É preciso deixar ir embora, soltar-se disso, desprender-se…

É necessário deixar ir o que te prende, o que te assusta, o que te entristece, o que te angustia e aceitar o que o momento está te trazendo. É preciso deixar ir o que não te serve mais.

Tome consciência disso e deixe ir aquela pessoa, aquele conflito, aquela angústia, aquele vício, aquele prazer, aquele conforto, aquela estabilidade, aquela mágoa, aquela certeza, aquele falso você, aquele quem você foi um dia…

Assim, você vai se descobrindo, se criando e se remoldando a sua verdadeira essência.

Diga a sim mesmo que é preciso encerrar um ciclo para estar livre para um outro; o que passou jamais voltará; que a cada momento tudo está mudando e que você não tem o controle; que certas coisas não cabem mais na vida da pessoa que você é hoje e que é necessário soltar. Essa é a real mudança, de dentro para fora.

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo — nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Pratique o Desapego, de Fernando Pessoa.

🙏 Virgilio

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Virgilio Magalde
Engenheiro de Formação, que largou o mundo corporativo para seguir o sonho de ser professor na área. Filósofo, escritor e poeta de coração. Atualmente desenvolvendo o hábito de ser blogueiro. Possui formação em coaching e se interessa sobre assuntos de desenvolvimento pessoal, relacionamentos, meditação, espiritualidade e demais explicações sobre o que vemos e sentimos.



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