Dia dos namorados? É isso mesmo?

Por Carolina Vila Nova

Afinal, acho que, às vezes, sinto-me cansada das convenções sociais criadas para, fantasiosamente, celebrarmos uma determinada coisa ou pessoa, quando, na verdade, a celebração é quase que puramente comercial. Tem-se o dia das mães, dos pais, dos avós, dos namorados, das crianças, das secretárias, dos médicos e assim vai. É dia comemorativo que não acaba mais.

Não tenho nada contra celebrar a posição de uma pessoa. Se a pessoa é amada e admirada, nada mais justo, ela merece seu reconhecimento. Mas será que fazemos tudo isso de coração? Ou por pura obrigação? Já pensou não presentear sua mãe no dia das mães? O que aconteceria? Uma tragédia grega, imagino…

Fato curioso e contraditório sobre o dia dos namorados é que quase no mundo todo o mesmo é comemorado no dia 14 de fevereiro. Só no Brasil se celebra no dia 12 de junho, por ser dia anterior ao do casamenteiro Santo Antônio. Então, como já ocorreu comigo, o que fazer se seu parceiro é de um país onde a data fixada para tal é num dia diferente do brasileiro? Comemora-se duas vezes? Também se gasta duas vezes.

Mas não sou uma pessoa materialista. Não me importaria de não ganhar um presente numa data comercial. Ao mesmo tempo em que não me preocuparia em gastar muito para agradar uma pessoa que amo ou que desejo fazer feliz. A questão não é financeira, mas a honestidade.

Quantas vezes você já se pegou comprando um presente por obrigação? Levando alguém para um jantar por uma simples convenção social? O quanto nos rendemos às regras silenciosas que nossa sociedade nos impõe? Já mandou flores para alguém por sentimento de culpa? Ou uma caixa de bombons?

Acredito que a maioria das pessoas gosta de ganhar presente, e eu também. Mas presente bom mesmo é aquele dado de coração, com desejo. O presente que parece ter sido desejado por você uma vida toda. E só uma pessoa que nos ama muito é capaz de perceber essa vontade, ainda que escondida.

Presente bom não tem preço, não tem data, nem hora e nem lugar. Presente mesmo é atitude, amor, carinho, preocupação, saudade. Para mim, presente único é presença, toque, uma palavra, um desejo indescritível de estar comigo. Alguém que ame me fazer sorrir. Alguém que precise desesperadamente ver e sentir meu sorriso. Sorriso bom, aquele com risada, ou ainda aquele outro, bem malicioso, na maioria das vezes não vem com presente, mas com acontecimentos.

Desejo a você muito mais do que um “Feliz Dia dos Namorados” determinado por nossa sociedade. Desejo a você que tenha alguém que o ame de verdade. Alguém que lhe faça sorrir o tempo todo. Alguém que não vai presenteá-lo porque a sociedade obriga. Mas alguém que lhe compraria o mundo todos os dias, se pudesse. Porque amor não se compra! Ou se tem ou não se tem! O resto é comodismo!

Amor de verdade é vontade, desejo, saudade. E nem precisa ser convencionalmente um namorado(a). Importante não são os nomes ou as regras, mas o que se sente. O gostar, gostar-se e ser gostado.
Ser namorado(a) é isso: amar!

Ter um Feliz Dia dos Namorados é viver esse amor todos os dias e celebrar, por um acaso, em um ou mais!
Se você tem o seu ou a sua, aproveite!

Quem não tem pode ler este texto sob protesto. Mas sinta a certeza, ainda que demore, de que não vale a pena desejar um amor só para celebrar um determinado dia, mas um que seja louco por você. E por mais ninguém.
Se você, caro leitor ou leitora, sente-se nesta situação, paciência. Mais vale um jantar romântico e sincero com você mesmo à espera do amor verdadeiro, do que muitos por ai que estarão jantando e reclamando interiormente da conta ou do presente que ganharam.

Amor sincero não tem hora para chegar. Mas comodismo não deveria nem existir. É tudo uma questão de escolha.

Feliz Dia dos Namorados! Com a melhor companhia possível!

DIA DOS NAMORADOS CAPA

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Carolina Vila Nova é brasileira. Tem cidadania alemã, 40 anos. Escritora e Roteirista. É autora dos seguintes livros: “Minha vida na Alemanha” (Autobiografia), “A dor de Joana” (Romance), “Carolina nua” (Crônicas), “Carolina nua outra vez” (Crônicas), “Vamos vida, me surpreenda!” (Crônicas), “As várias mortes de Amanda” (Romance), “O dia em que os gatos andaram de avião” (Infantil), “O milagre da vida” (Crônicas) e "O beijo que dei em meu pai" (Crônicas). "Nosso Alzheimer." (Romance), Disponíveis na Amazon.com e Amazon.com.br

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